Cidades
JANEIRO DE 2022 TEVE MAIOR NÚMERO DE FEMINICÍDIOS DESDE 2019 EM AL
Seis mulheres foram assassinadas em janeiro no Estado; especialista defende políticas de acolhimento
O primeiro mês de 2022 registrou um total de seis feminicídios em Alagoas. De acordo com a estatística da Secretaria de Segurança Pública (SSP), é o maior número desde abril de 2019, quando foram registrados sete casos desse tipo de crime. As cidades onde os casos de 2022 foram registradas são Junqueiro, Maceió, Pilar, Santana do Ipanema e Teotônio Vilela. Na capital alagoana foram dois feminicídios no primeiro mês do ano. De acordo com a advogada Paula Lopes, especialista em Direitos Humanos e em Proteção a Mulheres Vítimas de Violência e fundadora do Centro de Defesa dos Direitos das Mulheres (CDDM), os dados refletem o cenário de violência. "O Feminicídio em Alagoas é o retrato da sociedade violenta em que vivemos.
Estão no topo da cadeia de homicídios homens e mulheres negras, e estão no topo da cadeia de Feminicídio as mulheres mais pobres, que sem alternativas e incrédulas no sistema de justiça e proteção tentam preservar seus corpos da violência e do violento, enquanto o Estado finge realizar políticas públicas", disse Paula Lopes. A advogada diz ainda que Alagoas é um Estado em que a Secretaria da Mulher quase não tem orçamento e precisa auxiliar 102 Municípios, e uma Patrulha Maria da Penha que "bravamente supera todos os dias a falta de investimentos reais, agindo em apenas duas cidades: em Maceió e Arapiraca".
"Enquanto isso, estamos vendo que não nos cabe mais, enquanto mulheres, aceitar que em qualquer governo, seja ele estadual ou municipal, a proteção às nossas vidas e nossa integridade física seja relativizada em detrimento de outras prioridades", afirma Paula Lopes. O quadro crescente de feminicídios no meio de diversas campanhas de "denunciamos", "onde submetemos nossas mulheres à denúncia e depois não damos o suporte necessário a elas. Onde ela denunciará no final de semana? E à noite? E se a cidade dela for no interior? E se ela não souber denunciar pela Internet? E se ela não tiver o dinheiro da passagem para se dirigir a esses órgãos? Onde ficarão os filhos? Onde uma mulher do povo pode denunciar e ser acolhida pela violência sem ser revitimizada nesses parâmetros anteriores? Em qual local? Queremos respostas!! Em todos os locais em que tivermos políticas públicas as mulheres precisam estar incluídas, por nós e por nossas vidas", defende a especialista. A sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, Cristina, ficou entre a vida e morte após o ex-marido não aceitar o fim do relacionamento.
"Eu denunciei antes, o ódio dele só aumentou, e na primeira chance, ele me deu três tiros em pontos que jamais teria como escapar, pois o mesmo trabalhava na área de segurança. Foi um tiro no abdômen, um na carótida e outro na cabeça. Cheguei ao HGE, sem vida, me reanimaram e aqui estou viva, graças a Deus".
O agressor de Cristina cometeu suicídio após o crime. "Muitos homens acham que suas esposas, namoradas, amantes, companheiras são sua propriedade", comenta a sobrevivente.
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