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Pr�dio em ru�nas vira esconderijo de bandidos

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FELIPE FARIAS Os moradores da Rua José Lobo de Medeiros, no Tabuleiro, e imediações estão reivindicando a demolição de um prédio em ruínas existente no bairro. Segundo ele, a estrutura serve de esconderijo para assaltantes que praticam assaltos e até estupro contra os membros da própria comunidade. A última vítima foi a estudante Apolônia Rafaele Cavalcante, 14, que levou um tiro no rosto durante um assalto. Até ontem, ela continuava internada. Sob o comando de lideranças comunitárias, os moradores se reuniram nas ruas do bairro e foram em passeata até o prédio, onde funcionava, segundo eles, uma fábrica de doces desativada e, posteriormente uma boate, mas que se encontra agora totalmente abandonado. No local, a iluminação é deficiente e as ruas mais próximas ao prédio são estreitas; fatores que, segundo eles, facilita a ação dos assaltantes. A construção de um andar continua com muitas paredes de pé. Como está situada no meio de um descampado, sem portas e postes por perto, com mato crescido nas entradas e com acessos por lados diferentes, segundo os moradores, acaba se constituindo num esconderijo ideal. Com essas condições, de acordo com a comunidade, os ataques acabam não ficando restritos à noite apenas. ?Eles agem a qualquer hora do dia. Cinco e meia da tarde, para mim, é pleno dia. Pois foi essa a hora em que a mocinha foi atacada?, contou o aposentado Eduardo Rocha dos Santos, 74, que mora vizinho às ruínas e diz ter testemunhado vários ataques, em decorrência das condições do lugar. ?E não é só criança, não; muitos homens aqui já perderam as bicicletas, roubadas por esses mesmos marginais?, acrescentou. Alguns vizinhos dizem que à noite o problema se agrava: a concentração de assaltantes chega a tal ponto que nesse horário muitos deles ficam provocando os policiais responsáveis pelo policiamento das escolas. ?A polícia não entra nesse prédio?, resumiu Eduardo Rocha. O cabo PM Carlos Alberto Moreira, confirmou que a existência do prédio representa um obstáculo para o combate à violência na comunidade. Demolição Na manifestação de ontem pela manhã, a multidão de moradores também refez o percurso de algumas vítimas, parte delas - como a própria Rafaele -, estudantes de duas escolas que ficam vizinhas ao prédio. Segundo os moradores, nas duas unidades há cerca de 3 mil estudantes e muitos são obrigados a passar defronte o prédio no caminho de casa. ?Eu tive de mudar o caminho para não ter de passar em frente do prédio. Mas, com isso eu estou tendo de andar muito mais. O pior, é que eu acabo tendo de passar por outros lugares esquisitos?, salientou uma estudante, colega de classe da menina ferida. Ela comentou que não soube a razão para o ataque porque os assaltantes não levaram o celular de Rafaele. Os moradores cobram a demolição do prédio.

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