Cidades
Governo conta 100 mil no trabalho infantil em AL
FÁTIMA ALMEIDA A estimativa de que em Alagoas cerca de 100 mil crianças e adolescentes sejam exploradas como trabalhadores levou às ruas, ontem, entidades governamentais e não-governamentais, ligadas ao Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador (Fetipat), com faixas e panfletos distribuídos nos sinais de trânsito de Maceió, contra o trabalho infantil. A campanha mobilizou cerca de 500 pessoas no trabalho de conscientização e prossegue neste sábado, com uma caminhada que sai às 10h, na Praia dos Sete Coqueiros em direção à Praça Multieventos, onde crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) farão apresentações de atividades artísticas. ?A proposta é que a campanha seja permanente?, diz José Gomes, coordenador pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT), considerando que apesar dos esforços ainda falta muito para que o trabalho infantil seja erradicado. Para o secretário estadual de Inserção e Assistência Social, Tito Uchoa, nas usinas de açúcar e na indústria fumageira de Alagoas ele já é considerado erradicado, mas se calcula que ainda existam cerca de 100 mil crianças e adolescentes no Estado, de cujo trabalho em atividades urbanas, rurais e domésticas depende parte do sustento familiar. Ontem, por exemplo, dividindo o mesmo espaço com a equipe de conscientização que atuava no semáforo da rua dom Antônio Brandão, mães e pais debulhavam feijão e preparavam sacolas de laranja enquanto os filhos pequenos se arriscavam entre os carros para vender o produto. ?Hoje nossa ação é de conscientização para que as pessoas não dêem esmolas nos sinais nem comprem coisas de crianças, porque é isso que leva os pais a acreditarem que a exploração infantil compensa?, recomenda Tito Uchoa. Eliane Ferreira, acompanhada de quatro dos seis filhos menores, justificava: ?Hoje eu trouxe eles porque não teve aula. Não tinha com quem deixar?. Ela confessa que já colocou os filhos para pedir esmolas e vender produtos no semáforo, mas garante que não faz mais isso. ?Fiquei com medo de o Conselho Tutelar levar meus filhos para longe de mim?, diz. O grande problema é que o Estado não tem estrutura para dar sustentação às famílias carentes, onde o pai ou a mãe são desempregados. Uma das saídas, na opinião do secretário, seria ampliar o Peti, que assiste a 25 mil adolescentes em Alagoas.