Cidades
Liga��es clandestinas pioram situa��o das praias
FELIPE FARIAS BLEINE OLIVEIRA Outra constatação do mapeamento feito pela GAZETA, baseado no relatório do Instituto do Meio Ambiente (IMA), é a inexistência de placas indicativas sobre as condições do mar nesses pontos. Ao longo de todo trecho do litoral de Maceió, a reportagem não encontrou nenhuma placa. No trajeto em direção ao litoral norte, o primeiro ponto de litoral aprovado pelo Instituto do Meio Ambiente é o identificado como 060 Mar, em frente ao Iate Clube Pajuçara. Depois dele, nenhuma das doze praias monitoradas pelo órgão foi aprovada, segundo a última listagem. Depois dela, o ponto seguinte considerado próprio para banho é o trecho 125 Mar, em frente à Barraca do Figueroa, em Guaxuma. No boletim de 9 de junho, por exemplo, dentro do perímetro urbano, apenas trechos da Garça Torta (em frente ao balneário da Assefal), Riacho Doce (em frente à barraca do Doquinha), no Mirante da Sereia e Ipioca ? ponto extremo da orla urbana e a melhor para mergulhos, estavam liberados para banho. Ligações clandestinas O secretário municipal de Meio Ambiente, Alder Flores, diz que balneabilidade é ?a qualidade das águas destinadas à recreação (natação, mergulho, esqui-aquático, etc.), onde se tem contato direto e prolongado com a água e onde a possibilidade de ingestão é elevada?. A coleta de amostras da água para definir essa qualidade, garante Sandra Menezes, presidente do IMA, é feita às segundas e quartas-feiras. ?O maior problema que enfrentamos são as ligações clandestinas. A irresponsabilidade das classes média e alta é a causa principal da poluição em Maceió?, afirma Sandra Menezes. Embora ressalte que o poder público tem que fazer a sua parte e investir em saneamento, a presidenta faz duras críticas aos moradores da orla de Ponta Verde, Pajuçara e Jatiúca, a quem acusa de agirem de forma totalmente descomprometida com a qualidade de vida de toda a população. Direta, Sandra afirma que os ricos de Maceió ou mergulham nas piscinas de seus prédios ou ?pegam o carro e vão para as praias mais distantes?. Por sua vez, o secretário Alder Flores avalia que a chamada parte baixa da cidade é a mais problemática quanto as questões de esgotamento sanitário. Ele afirma que, mesmo com todo esforço dos órgãos ambientais, ainda é grande o número de ligações de esgoto na rede de água pluvial. ?Essa atitude é absolutamente condenável. Os prédios onde isso ocorre é porque seus moradores não querem investir em obras que podem resolver o problema sem poluir as praias?, reclama. Doenças O dermatologista Alberto Cardoso lembra que quem mergulha em água poluída está sujeito a contrair Hepatite A ou B e infecções intestinais. Além disso, o contato com a areia contaminada expõe a pessoa a micoses superficiais como pé-de-atleta, bicho-do-pé, provocadas por parasitas transmitidos por fezes de cães e gatos. Outra doença associada à água poluída por esgoto é a gastroenterite.