Cidades
ESPECIALISTA RECOMENDA CAUTELA PARA AVALIAR LIBERAÇÃO DE MÁSCARA
Infectologista diz que prazo de duas semanas é recomendável para analisar efeitos das festas de carnaval
O governo do Distrito Federal anunciou ontem que a partir de segunda-feira (7) o uso de máscaras em locais públicos será desobrigado e a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou para a mesma data reunião para discutir a pauta à luz do cenário epidemiológico da capital carioca. Questionado sobre se o cenário em Alagoas justificaria a liberação, o médico infectologista Fernando Maia diz considerar precoce liberar a proteção neste momento e recomenda aguardar duas semanas para avaliar os efeitos do carnaval sobre a pandemia. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) não respondeu questionamento da Gazeta sobre o assunto.
Circulam na internet imagens de cidades do interior do Estado com grandes aglomerações em eventos carnavalescos ao ar livre sem nenhuma observância a qualquer protocolo sanitário.
Duas semanas atrás, em entrevista à Gazeta, o infectologista Fernando Maia recomendou precaução durante o carnaval para prevenir rebote de infecções, como ocorreu nas semanas posteriores às comemorações do final do ano. Ontem o médico voltou a defender cautela para que as autoridades sanitárias possam avaliar os efeitos dos festejos de carnaval antes de iniciarem as discussões sobre a flexibilização de uso da proteção facial.
“Penso que ainda é cedo para tirar a máscara. Acho que a gente deve segurar um pouquinho. Por causa do carnaval, a gente precisa segurar pelo menos umas duas semanas para ver qual vai ser o impacto do Carnaval, se vai haver rebote de número de casos, número de mortes ou não para, depois, a gente poder pensar se vai liberar ou não”, avalia Fernando Maia.
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Na avaliação de cenário feita no último dia 22, quando Alagoas já vinha registrando média de dez mortes por dia, enquanto o número de casos começava a cair, o médico explicou que as mortes decorrem de infecções contraídas duas semanas antes, em média, que é o tempo de evolução da doença, até o agravamento e morte.
“As mortes refletem o número de casos de duas semanas atrás, que é mais ou menos o tempo que o paciente leva para começar a adoecer, complicar e - infelizmente - vir a óbito, mais ou menos duas semanas. Então esse número alto ainda reflete o número de casos de duas semanas atrás”, explicou.
Desde então, o número de casos tem caído de forma significativa, chegando a 51 casos registrados no Boletim Epidemiológico divulgado ontem. O número de casos graves também caiu, com registro de 17% de ocupação de leitos. A média de mortes, no entanto, segue estabilizada entre 10 e 12 por dia, considerada alta. Ontem foram registradas 12 mortes, elevando para 6.716 o total de óbitos por Covid-19 em Alagoas. É baseado nesse cenário, e na esperança de que o número de mortes venha a cair, que se pauta o infectologista.
“A tendência, o que a gente espera, é que o número de mortes comece a cair nos próximos dias, à medida que vai refletindo a queda do número de casos”, analisou, no dia 22. “Eu acho prematuro liberar neste momento. Eu acho que precisa esperar um pouquinho para ver como vai ficar essa situação e poder liberar [o uso da máscara] com segurança”, alerta o médico Fernando Maia.