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PACIENTES QUE SOBREVIVERAM À COVID APONTAM DIAS DIFÍCEIS COM DEPRESSÃO

Sofrimento com sequelas físicas, temor de reinfecção e isolamento desencadeiam sintomas de ansiedade

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Parte dos pacientes que enfrentaram quadros graves de Covid-19 precisa lidar com a depressão, uma das sequelas mais comuns ao coronavírus, segundo especialistas. A alagoana Lindiane Maria, de 34 anos, conta que passou 10 dias na UTI com a Covid-19 e, após receber alta médica, teve que lidar com algumas sequelas, como queda de cabelo, falta de ar e perda de musculatura.

No processo de recuperação das sequelas físicas, foi diagnosticada com depressão, o que atrasou sua recuperação. Hoje Lidiane diz que convive com o medo de contrair o vírus novamente e de não se recuperar das sequelas, fatores que a deixam depressiva.

“Os dias de internação foram doloridos, algo que não sai da minha cabeça. Sem falar que perdi amigos queridos para a Covid. Isso mexeu muito com a minha cabeça. E sair da internação, com várias sequelas complicou tudo. Fiquei mal da cabeça, não parava de pensar no pior. E ainda penso”, disse.

ISOLAMENTO

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Camila Santana, de 29 anos, contraiu o vírus duas vezes no ano passado. Ela não precisou ficar internada, mas a quarentena, segundo ela, foi “difícil”. “Fiquei longe da minha família, do meu trabalho. Foram dias pensando que os sintomas iam se agravar, que iria ser internada. Tive crise de ansiedade. Foi assustador. Hoje, no entanto, estou me tratando, está tudo bem controlado. Mas ainda temo muito pela minha saúde mental”, frisou.

A psicóloga Andrea Fonseca comenta que um estudo mostra que a ansiedade, depressão e outros sintomas psicológicos e neurológicos aparecem em pessoas infectadas pela Covid-19. A pesquisa ouviu milhares de pessoas de 30 países que tiveram forma grave da doença. Os sintomas neurológicos e psiquiátricos mais comuns foram perda de olfato, fraqueza, fadiga, perda do paladar, dor muscular, depressão, dor de cabeça e ansiedade.

“O estudo apontou que, apesar de mais raras, doenças neurológicas graves, como AVC e convulsões, podem afetar esses pacientes. [A doença] também ‘bate’ na saúde mental. Vivemos uma pandemia, é natural que todo mundo fique preocupado e essa ansiedade aumenta quando a pessoa ou alguém próximo a ela pega o coronavírus”, explica.

E completa: “Por isso é tão importante que a pessoa que teve Covid-19 e reconheceu que a memória não está tão boa, que está com medo mais do que o normal, procure um profissional de saúde para fazer diagnóstico preciso para estabelecer rapidamente um tratamento”, orienta.

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