Cidades
Microc�mera e cinto-bomba podem ter sido blefes
Além do valor roubado, o que mais chamou a atenção no caso foram a alta tecnologia, a ousadia e a frieza dos assaltantes do penhor da Caixa. Nas doze horas que transcorreram entre o rapto, o assalto, a obtenção de dinheiro e jóias e a fuga, não houve sequer um grito, nem atitude violenta, como relataram as próprias vítimas à polícia. Eles podem até ter se dado ao luxo de blefar para elas sobre os explosivos, como admitiam ontem os responsáveis pelas investigações (veja página A7). Segundo o delegado Rogério Caetano da Silva, numa situação como essa, nenhuma vítima vai contestar que o volume que traz preso ao corpo contém mesmo cargas de detonação. Outro argumento que pesa nesse raciocínio é puramente prático: ?Você não iria pôr em risco um assalto de 1 milhão de reais com a possibilidade de os explosivos realmente mandarem tudo pelos ares, por acidente?, explica. Ele admite que, como ameaça, a estratégia é eficaz. ?De qualquer forma, só uma perícia é que poderia determinar se eram mesmo explosivos?. Mas os assaltantes, na fuga, levaram inclusive o suposto cinto explosivo. O que surpreende ainda mais é que o plano pode ter também também um segundo blefe: o do monitoramento eletrônico por microcâmera. De acordo com o delegado, no momento do rapto, na casa dos gerentes, os assaltantes afixaram a microcâmera em sua roupa e o fizeram andar pela casa, mostrando a tela de um computador de mão (notebook), em que apareciam as imagens. ?Nesse momento, o monitoramento realmente ocorreu?, diz Rogério Caetano. E o gerente se copnvenceu de que seus passos estariam vigiados. O que a polícia questiona agora é que esse dispositivo tenha funcionado durante todo o tempo em que os gerentes estiveram na agência. É que a microcâmera tem alcance de, no máximo, cem metros. De fora Os assaltantes não entraram na agência. Disseram para o gerente que estariam vigianhdo todos os seus passos. ?Para fazer o monitoramento, eles teriam que estar, por exemplo, num carro do lado de fora, durante todo o tempo em que o gerente estivesse na agência, com o notebook ligado. Mas isso chamaria muita atenção?, argumenta Caetano. O acompanhamento poderia ainda ser feito de um imóvel vizinho, o que não parece ter ocorrido.