Cidades
OIT diz que 90 mil crian�as trabalham em AL
DORGIVAL JÚNIOR O Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado ontem e referente à pesquisa realizada em 2001, aprontou o número de crianças e adolescentes que trabalhavam na faixa etária dos 5 a 15 anos em Alagoas. Segundo o levantamento, foram detectadas na área rural 59.938 mil crianças exercendo algum tipo de trabalho, enquanto na zona urbana dos municípios alagoanos foram encontradas 30.444 mil. O relatório aponta ainda que foram encontradas em Alagoas 38.533 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em ocupações consideradas perigosas como comércio ambulante, agricultura, extrativismos mineral e vegetal, indústria, agropecuária, entre outras atividades. As informações são da pesquisa Perfil do Trabalho Infantil no Brasil por Regiões e Ramos de Atividade. O levantamento faz parte de uma série de estudos feitos com base em dados colhidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e são cruzamentos inéditos feitos a partir do detalhamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2001. Trabalho Em Maceió, a problemática do trabalho infantil continua sendo evidenciada hoje nas ruas da cidade. Apesar dos programas sociais como o Bolsa Escola e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), crianças e adolescentes continuam trabalhando e ajudando no sustento das suas respectivas famílias. ?Não fui à escola hoje para ajudar meu pai já que tinha muito feijão para vender?, frisou o menor R. S., 10 anos, que vendia pacotes de feijão verde pelos corredores do Mercado da Produção em companhia de uma irmã menor, R.S. O menor W. S. também foi flagrado trabalhando na área do mercado carregando a feira dos consumidores para ajudar a matar a fome dos irmãos. ?Todo o dia venho aqui. Vou para a escola à tarde e pela manhã vendo flau. Quando não tem professor para dar aula, venho para o mercado tentar ganhar algum trocado carregando feira?, destacou o menor que ganha uma média de R$ 5,00 por dia trabalhando no mercado. Fórum A procuradora do Trabalho e membro do Fórum de Combate ao Trabalho Infantil, Virgínia Ferreira, afirmou que as instituições públicas e privadas que participam do projeto lançaram uma campanha, semana passada, de conscientização da sociedade para incrementar o combate ao trabalho infantil. Ela esclareceu, ainda, que a meta do Fórum também é ampliar as bolsas do Peti em todo o Estado. ?Só em Maceió, pretendemos chegar a três mil e desta forma tentar suprir a carência. Criança é para estar na escola?, destacou ela. A informação também foi compartilhada pelo secretário estadual de Assistência Social, Tito Uchoa, que alegou a necessidade de ampliar o Peti para pôr um fim ao trabalho infantil no Estado chegando à meta das 50 mil bolsas. ?O que existe hoje é insuficiente. Mas, a partir do próximo mês, esperamos que novas bolsas sejam liberadas pelo governo federal?, frisou ele.