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TRAGÉDIA

BARREIRA DESLIZA EM CIMA DE CASA E CRIANÇA MORRE SOTERRADA EM MACEIÓ

Com medo de desastre, mãe de João Pedro tinha saído de casa, mas voltou por não ter como pagar aluguel

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Imagem ilustrativa da imagem BARREIRA DESLIZA EM CIMA DE CASA E CRIANÇA MORRE SOTERRADA EM MACEIÓ
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A queda de uma barreira por cima de uma casa resultou na morte de uma criança de 9 anos na manhã de ontem em Maceió. A tragédia aconteceu no bairro Ouro Preto e teve como vítima João Pedro, que dormia com a mãe e dois irmãos mais velhos na hora do desastre.

Maricélia da Silva Alves, a mãe do menino, temia que a barreira deslizasse e atingisse a casa da família. Ela contou que quando chovia, não conseguia dormir e que chegou a sair de casa para morar de aluguel, mas seis meses depois voltou à residência porque não tinha condições financeiras de se manter em outro local. “Ela queria sair daqui”, disse uma amiga da família que agora abriga a mulher e os dois filhos sobreviventes da tragédia.

O caso ocorreu nas primeiras horas de ontem, na Grota do Ouro Preto. Eram 5h da manhã, quando os vizinhos ouviram o barulho do deslizamento e se dirigiram à residência para socorrer as vítimas. Um deles era Jonas da Silva, de 32 anos. Ele relata que, ao entrar, viu que parte da casa estava tomada pelo barro e havia um pedaço da parede em cima de Maricélia.

“Quando cheguei, ela gritava. Os gritos eram ouvidos bem baixinho, mas ela gritava e eu ouvia a voz dela. Tiramos o barro e os escombros de cima dela e, em seguida, a retiramos, mas o menino não conseguimos achar”, relata Jonas. Ele mora em uma casa mais abaixo do imóvel de Maricélia e teve a residência isolada.

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Jonas conta que também precisou sair por causa dos riscos e agora está sendo acolhido pela sogra, junto com a esposa e três filhos. “Quando a retiramos, ela perguntava: ‘e meu filho, meu filho, meu filho?’, mas a gente não podia mais procurar porque havia risco de desabamento e o Corpo de Bombeiros impediu que ficássemos lá”, diz Jonas.

Ainda segundo moradores, após sair dos escombros, a mãe do menino ainda tentou encontrá-lo, mas não conseguiu. Jonas disse ainda que o resgate feito ao restante da família por ele e mais três amigos ocorreu em meio a riscos de mais desmoronamento da barreira e da única viga que estava suportando a estrutura. Ele estima ainda que a criança só foi encontrada uma hora e meia depois, pelo Corpo de Bombeiros.

ACOLHIMENTO

Verônica Souza é amiga de Maricélia e está acolhendo a mulher e os dois filhos, um de 17 e outro de 21 anos, em sua casa. As duas famílias se conhecem há mais de 20 anos. Verônica conta que Maricélia vivia o dilema entre morar diante do risco e não ter condições financeiras de ir viver em outro lugar. “Ela sempre quis sair do local”, conta Verônica.

A vizinha disse que Maricélia, em períodos de chuva, não conseguia dormir à noite por medo de acontecer o pior. “Por diversas vezes ela já tinha passado noites sem dormir preocupada porque realmente era uma área de risco e por trás tem essa barreira”, conta.

Uma cunhada e tia de João Pedro também relatou à Gazeta que a mulher sempre reclamava do fato de a água da chuva passar pela barreira, e se concentrar no entorno do imóvel dela porque não escoava para outro lugar.

Verônica acrescentou ainda que Maricélia chegou a sair da casa com os filhos para morar em outra localidade, mas só conseguiu se manter financeiramente por seis meses. Sem ter alternativa, ela se viu obrigada a retornar para a residência. “Ela retornou depois de seis meses, que foi o período que conseguiu se manter, então retornou e ficou, mas sempre quis sair por causa da situação que é área de risco, mas não tinha condições financeiras”, diz a amiga. O esposo de Maricélia estava trabalhando quando a tragédia ocorreu e só chegou momentos depois.

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