Cidades
Sem-terra invadem Incra e cobram vistorias em terras
FELIPE FARIAS Um grupo de trabalhadores rurais e de pequenos produtores invadiu ontem o prédio do Incra que funciona na Praça Sinimbu e o depósito da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em Bebedouro, cobrando o cumprimento de uma pauta de reivindicações com dezesseis itens. No fim da tarde, o primeiro foi desocupado diante do argumento da direção do instituto de que há uma diretriz para não negociar enquanto houver prédios ocupados. O grupo se instalou então na praça, para aguardar o resultado da reunião de uma comissão de representantes com o superintendente substituto, Marcos João Aragão. Os trabalhadores rurais são ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o quinto que atua em Alagoas cobrando a reforma agrária. Segundo Antônio Francisco de Lima, coordenador estadual do MTL, o grupo era composto de 350 famílias de acampamentos e assentamentos situados nos municípios de Porto Calvo, Maragogi, São Luís do Quitunde, Flexeiras e Novo Lino. O primeiro lugar a ser ocupado foi o depósito da Conab, onde o grupo chegou por volta das 13h. Em Bebedouro, entretanto, não houve invasão: os camponeses se dispuseram ao longo da rua, nos muros da unidade. No Centro, o prédio do Incra, que fica na Praça Sinimbu, foi ocupado. Os sem-terra se distribuíram pela calçada, pátio e corredores, mas não houve tumulto ? apesar da ameaça divulgada no início da tarde de que o grupo poderia ?aprontar? pela cidade. Também não houve retenção de funcionários. Em contato com o grupo por telefone, o superintendente do Incra, Gino César, cobrou que os camponeses saíssem do prédio alegando que a direção do órgão não negocia com unidades sob ocupação. Depois que eles se transferiram para a praça em frente, o superintendente substituto do Incra, Marcos João Aragão Lisboa, recebeu uma comissão, que lhe entregou a pauta com 16 itens. Entre eles estão a realização de vistorias em áreas reclamadas pelo movimento e de um novo cadastro para levantar os beneficiários do Programa Fome Zero. Os sem-terra cobram ainda que o governo dê assistência jurídica ao dirigente de outro movimento, o MT, Valdemir Agostinho, que responde a processo na Justiça, e garanta a aquisição antecipada de sementes para plantio.