Cidades
Protesto contra assaltos a �nibus p�ra Macei�
FÁTIMA ALMEIDA DORGIVAL JÚNIOR Paralisações gigantes nas principais vias de acesso aos bairros do Centro e Farol, com ônibus parados em filas indianas (um atrás dos outro) e fora dos pontos, foi a maneira que motoristas e cobradores protestaram contra a falta de segurança da categoria, em Maceió. ?Não somos passarinhos para levarmos tiros a todo instante?, afirmou o líder sindical Divanildo Ramos, referindo-se ao grande número de assaltos e até morte de motoristas (leia matéria página 15). O caos no trânsito de Maceió começou pela manhã e foi até às 18h30, quando o trânsito começou a voltar ao normal. Centro paralisado O tráfego na Ladeira dos Martírios provocou congestionamentos em série em várias ruas do Centro, Farol e adjacências. Grande parte da população ficou sem ônibus durante pelo menos três horas. Muita gente teve que percorrer quilômetros a pé para voltar para casa na hora do almoço. Nas ruas do centro, como a Rua do Comércio, motoristas de veículos pequenos tiveram que ignorar a sinalização de trânsito, com a complacência dos guardas de trânsito, para driblar os congestionamentos. Resposta A manifestação foi uma resposta da categoria ao assassinato do motorista Antônio Cândido Filho. Ele foi morto a tiros num assalto praticado na tarde de segunda-feira, no bairro de Mangabeiras, dentro do ônibus em que trabalhava (linha Mirante/Trapiche). No mesmo dia, o motorista José Ângelo levou um tiro na cabeça durante outra abordagem de assaltantes, desta vez no bairro do Feitosa. Um terceiro assalto a ônibus aconteceu próximo à Praça Sinimbu, mas não deixou feridos. Os passageiros, no entanto, tiveram que entregar objetos pessoais para os assaltantes armados. O protesto de motoristas e cobradores começou no Conjunto Benedito Bentes, de onde partiram veículos pequenos de lideranças sindicais da categoria até a Praça dos Martírios. Lá, os coletivos de todas as empresas foram parados e colocados atravessados na pista, de forma a impedir totalmente o tráfego. Calcula-se que mais de 200 ônibus pararam, formando uma fila dupla que foi crescendo ladeira acima, até a Praça do Centenário, onde os usuários tinham que descer para completar o percurso a pé. Alternativas Quem estava no Centro, teve que procurar outras alternativas de transporte. A doméstica Elizabete Gomes cansou de esperar pelo coletivo no Centro e resolveu subir a Ladeira dos Martírios, por volta do meio-dia, até encontrar ônibus para a sua residência, no Tabuleiro. ?Não sei onde vou parar, mas não dá para ficar esperando aqui?, disse. Quem se aventurou a fazer a mesma coisa só conseguiu transporte na Avenida Fernandes Lima, que também ficou congestionada. A Rua João Pessoa foi bloqueada em frente à Catedral. Na Rua Augusta outra fila de ônibus parados impediu o trânsito. A situação só se normalizou após às 14 horas, quando o comando da mobilização assegurou uma audiência com o comandante geral da Polícia Militar, para tratar da segurança da categoria no exercício da profissão. Após as manifestações no Centro, congestionamentos tomaram conta do Farol, principalmente para o tráfego de quem tentava sair da Fernandes Lima, totalmente paralisada até o começo da noite. Só durante a noite a população pode então tomar seu ônibus para casa, com medo de novos assaltos.