Cidades
ESPECIALISTA ORIENTA SOBRE CUIDADOS CONTRA A COVID EM MENORES DE 5 ANOS
Sem vacina para essas crianças, médica recomenda vacinar a família, espaços abertos, máscaras e higienização
Com os casos de Covid-19 em queda e o fim de praticamente todas as restrições que marcaram os últimos dois anos de pandemia, como o uso de máscara e o distanciamento social, mães e pais de crianças com menos de 5 anos tentam adaptar a rotina dos filhos à nova realidade, visto que ainda não há imunizantes para essa faixa etária.
Para especialistas consultados pela Gazeta de Alagoas, essas crianças seguem expostas ao contágio e os cuidados precisam continuar. Por enquanto, a vacina Pfizer só pode ser aplicada a partir do quinto ano de vida, e a CoronaVac a partir do sexto. “A vacinação é a forma mais eficaz de parar o vírus e o surgimento de novas variantes do coronavírus. Apenas a imunização em massa protege todas as pessoas e pode nos levar de volta à normalidade”, afirma a médica Clecia Nunes, residente de infectologia do Hospital Escola Dr. Helvio Auto.
Ela diz que uma maneira de lidar com as crianças neste momento da pandemia é não subestimar o vírus e combinar cuidados. Entre os mais importantes, garante a especialista, ela lista: manter o calendário de vacinação da família atualizado, não abrir mão do distanciamento quando for possível, optar por lugares abertos e incentivar o uso de máscaras e a higienização das mãos.
“Quem não se vacina não coloca apenas a própria saúde em risco, mas também a de seus familiares e outras pessoas, por isso é muito importante que todos da casa estejam vacinados”, complementa Clecia Nunes.
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A contabilista Kilma Moura da Rocha, 34, é mãe de um menino de 4 anos. Ela diz estar ciente da vulnerabilidade das crianças menores de 5 anos, que acabam colocando a mão ou até mesmo objetos na boca. Para ela, a retomada é sinônimo de preocupação e cuidados redobrados. “Não vejo a hora de vacinar o meu filho”, afirma Kilma. “O uso de máscara é quase impossível, ele não fica muito tempo com ela no rosto. Na escola, tem contato com outras crianças, o que é um risco constante”, reflete a mãe.
Para minimizar esses riscos, ela diz que recorre à orientação, principalmente sobre a higienização das mãos. “Na correria que vivemos não temos muita alternativa. Mas faço questão da higienização das mãos. A retomada é inevitável, assim como a preocupação, porque nem ele nem as crianças com as quais ele tem contato estão vacinadas”, afirma.
A Covid-19 costuma ser menos grave em crianças, principalmente nos primeiros anos de vida. Apesar disso, até o fim do ano passado, 1.449 óbitos de crianças de até 11 anos foram registrados, de acordo com relatório do Conselho Nacional de Secretários da Saúde, o Conass.
“Esses números da covid ultrapassam, de longe, os registros de qualquer outra doença infecciosa que também provoca mortes nessa faixa etária”, compara o médico Marcelo Otsuka, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia.
A vacinação dos demais membros das famílias com crianças menores de 5 anos é uma das estratégias mais importantes para minimizar riscos. Além disso, explica a médica Clecia Nunes, o uso de máscaras segue sendo um cuidado válido, mesmo com a liberação do equipamento.
“As crianças ainda não vacinadas, idosos, pessoas com comorbidades e imunocomprometidas correm mais riscos de contaminação e a orientação é que os pais avaliem em quais locais ainda é recomendado o uso das máscaras”, explica a médica, que complementa: “Acho que essa decisão de usar máscara vai muito da consciência de cada um, independente dos decretos. Essa é a forma que temos para evitar que as crianças se contaminem ou sejam vetores e infectem outras pessoas”, alerta.
No retorno às atividades, a médica recomenda prudência na escolha dos programas em família e nas atividades do dia a dia. “Apesar de sabermos que é preciso melhorar a circulação de ar na sala de aula, nem sempre é essa a nossa realidade. Por isso, o uso da máscara se torna ainda mais importante para reduzir riscos em ambientes fechados. Oriento incentivar atividades ao ar livre”, diz Clecia Nunes.
Crianças com sintomas de gripe, segundo a médica, não devem frequentar aulas presenciais. “É recomendado que os pais da criança procurem o médico para avaliar a necessidade de testes para covid e o protocolo de isolamento”, detalha.
A médica explica que os pais devem avaliar a situação da vacinação no bairro onde moram e os cuidados que as pessoas que vivem no entorno das crianças adotam. Protegê-las deve ser uma prioridade, mesmo diante do fim das medidas que visavam frear o avanço do coronavírus.
“Não há uma regra a ser seguida para orientar os pais, nem decisão certa ou errada. O que existe é uma decisão que faz mais sentido para a família naquele momento. Se os pais decidirem por enviar o filho à escola, por exemplo, é importante que visitem o local para se certificar de que todos os cuidados possíveis estão sendo tomados. Além disso, conscientizar sobre os cuidados, como distanciamento, uso de máscaras e higienização das mãos, é essencial”, diz.