Cidades
INFECTOLOGISTAS DIVERGEM SOBRE O FIM DA PANDEMIA DE COVID-19
Para Fernando Maia, cenário deve evoluir para endemia ainda este ano; Mardjane Alves defende cautela
A Gazeta de Alagoas ouviu dois infectologistas sobre o momento atual da pandemia de Covid-19, após o avanço das fases de distanciamento social, que trouxe a sensação de quase normalidade. Para quem há mais de dois anos vive a crise sanitária e viu decretada a ‘emergência em saúde pública de importância internacional’, a expectativa é de que a oficialização do fim da pandemia esteja próximo.
O médico infectologista Fernando Maia está otimista e acredita que a fase mais aguda será encerrada ainda este ano, quando provavelmente a pandemia migrará para endemia. Já a também médica infectologista Mardjane Lemos não vê o fim da pandemia tão próximo. Para ela, pode haver surpresas a qualquer momento.
Mesmo com a redução de casos da doença, da ocupação hospitalar e de mortos, a Covid levou quase 7 mil pessoas em Alagoas, desde o fim de março de 2020. Números difíceis de esquecer.
Segundo Fernando Maia, com o número de casos em queda já é possível pensar na flexibilização, como deixar de usar máscara em ambientes abertos, mas que ainda não é possível liberar totalmente.
Sequestrado e baleado, homem corre até UPA para pedir socorro; veja o vídeo
Ex-marido invade farmácia, atira em funcionária e foge; vídeo mostra suspeito
Justiça manda prender neto suspeito de matar a avó de 85 anos
Itamar em Goiatuba: Alvinegro trabalha com logística diferente para levar técnico a Goiás - 31/7/26
Novo momento defensivo: CRB está há dois jogos sem sofrer gols - 31/7/26
“Porque apesar de ter havido uma redução importante, ainda estão ocorrendo casos de Covid e, inclusive, ocorrendo mortes por Covid. Então ainda não é o momento de relaxar totalmente essas medidas. É muito importante, é fundamental, é indispensável que a vacinação continue andando, porque a vacinação é que vai conseguir controlar a evolução dessa pandemia”, declara.
‘CASOS PONTUAIS’
A infectologista Mardjane Alves avalia como precoces, precipitadas e desproporcionais as medidas de flexibilização. “A gente não tem nem 60 dias que passamos por um dos maiores picos de casos de toda pandemia. Lógico que como desacelerou bastante e a taxa de transmissão caiu é possível sim pensar em reduzir as medidas de precaução, mas não retirarmos a máscara da forma que foi retirada, de todos os ambientes. Isso é extremamente arriscado”, afirma.
De acordo com ela, mesmo com a queda na transmissão da covid, não se pode precisar em que momento o vírus vai voltar a circular. “Então, os locais com os maiores riscos de transmissão deveriam ser vistos de forma diferenciada. O uso de máscara é importante sim. Sobre a pandemia, não estou nem um pouquinho otimista. Posso falar mais de esperança do que de otimismo, porque o que a gente percebe que está acontecendo em outros países parece que está começando tudo novamente. Lógico que agora tem a vacina e a taxa de letalidade muito menor, mas é um vírus com capacidade de mutação que nós não prevíamos, capacidade de transmissão muito grande, capacidade de adaptação muito grande. É provável que a gente vá ter que lidar com ele mais algum tempo e o Brasil pecou muito por não ter incentivado mais a vacinação”, ressalta Mardjane Lemos.
Pessoas vulneráveis
A infectologista lembra que a irregularidade no processo de vacinação contra a covid-19 em algumas localidades levou ao aparecimento de bolsões de pessoas não imunizadas e que isso é bastante perigoso, principalmente quando se trata de pessoas com fatores de risco. “Avançamos bem na vacinação porque temos a cultura de vacinar, mas a gente sabe que para as variantes duas doses da vacina é pouco. É necessário agilizar a terceira dose, já começando a aplicar a quarta no público-alvo e entender que vai ser um esquema de vacinação que tem que estar lembrando o tempo todo”, finaliza.
Ela lembra que em relação ao número de vacinas aplicadas existe uma disparidade grande entre os municípios alagoanos e que isso gera um risco do vírus circular. “A gente só consegue barrar a circulação do vírus quando a vacinação é homogênea, distribuída de forma regular”.
Fernando Maia afirma que no momento o grupo populacional que mais está em risco é exatamente o das crianças que ainda não foram vacinadas. “E são as crianças que estão apresentando formas graves e que estão se internando e morrendo também. Então precisamos avançar na vacinação nesse grupo populacional. Alagoas, infelizmente, é um dos estados que está mais atrasado em relação à vacinação. A capital, Maceió, já conseguiu atingir um percentual bastante bom de vacinação, mas o estado ainda não. A gente precisa reforçar essa vacinação principalmente nas crianças”, conclui o médico.