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Bloqueios de ruas viram moda nos protestos

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FELIPE FARIAS Os episódios dessa semana concorrem para confirmar a tese: se você tem algo a reivindicar, promova um bloqueio. Na segunda-feira, moradores de dois conjuntos da Via Expressa impediram o acesso ao Distrito Industrial (já que a própria rodovia está interditada num trecho logo em seguida), para pedir o fim das inundações e cobrar mais ônibus para a comunidade. Na terça-feira, os rodoviários fecharam a principal avenida de Maceió, para protestar contra o assassinato de um companheiro e pedir segurança. No dia seguinte foram os rodoviários de Rio Largo os atingidos pela manifestação dos transportadores alternativos. Segundo o Centro de Gerenciamento de Direitos Humanos (CGDH) da PM, responsável por intermediar soluções para esse tipo de conflito, em 2004 já ocorreram 22 bloqueios de rodovias promovidos por movimentos rurais. O número corresponde ao total de interdições registradas ao longo de todo o ano passado. E a tendência é o número ir crescendo: em comunicado distribuído na última sexta-feira, motoristas e cobradores de ônibus ameaçavam que ?o trânsito pode voltar a ficar caótico nesta segunda-feira? se os patrões não atenderem às reivindicações da categoria, que está em campanha salarial. Reflexos negativos ?Você só consegue assim?, sentenciou Damião Veríssimo, representante dos moradores do Conjunto Graciliano Ramos, após uma manifestação semelhante. Verdade ou não, o bloqueio promovido pela comunidade resultou na escavação realizada pela prefeitura que reduziu as inundações no conjunto. ?A culpa é do poder público, que não atende aos reais problemas da sociedade. Os bloqueios acabam sendo a maneira encontrada por ela para se fazer ouvir?, afirmou o jurista Marcos Bernardes de Mello, presidente da OAB de Alagoas. O presidente da seccional alagoana da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav), Abrahão Moura, frisou que as manifestações trazem, sim, reflexos negativos para uma das principais atividades econômicas do Estado. ?O turista também cumpre horários e esses bloqueios causam transtornos?, atestou o empresário. É que boa parte das manifestações ocorrem numa das rodovias por onde passa o maior fluxo de visitantes que vêm a passeio ao Estado: a AL-101-Norte. O diretor do CGDH, coronel PM Adilson Bispo, explica que após episódios como Eldorado dos Carajás e do ônibus da linha 174, que terminaram em tragédia, as polícias de todo o país adotaram uma nova concepção no trato de questões assim. ?Polícia não é só para prender; mas, para dar segurança ao cidadão. Diante disso, agora se prioriza a solução negociada para as crises. E nunca é demais lembrar que a pessoa que hoje promove um bloqueio, pode ser a vítima dele, amanhã?, ponderou. Ou seja: dependendo da urgência da reivindicação, que hoje é retido, pode ser o autor do bloqueio, depois. Ainda assim, segundo os negociadores, a diretriz de hoje tem a ver com a máxima do ditado popular, que diz que mais vale um mau acordo do que uma boa briga. As vias urbanas de Maceió foram alvo de 19 bloqueios, de acordo com o grupo especial de negociadores da PM. Nesse total, estão todos os atos públicos que resultaram em interdição de vias, suspensão de tráfego, congestionamento e retenção de veículos, com o subseqüente acionamento dos oficiais do grupo especial. No ano passado foram 22 bloqueios de rodovias e 17 de vias urbanas, segundo o CGDH.

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