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Ecologistas: despolui��o do Salgadinho � utopia

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Poço Azul. Por incrível que pareça, é assim que é chamado o lugar onde está localizada uma das nascentes do poluído riacho Salgadinho, no bairro de Jardim Petrópolis ? nos limites entre o Aldebaran e a Via-Expressa. É claro que hoje o nome não faz mais jus ao lugar. As águas azuis e límpidas da nascente responsável pelo antigo nome agora estão escuras e contaminadas por esgoto e lixo. A reportagem da GAZETA foi conferir de perto, da nascente até a foz, as condições do riacho que simboliza a falta de planejamento urbano da cidade de Maceió. Desolação A degradação ao longo dos quase 15 quilômetros de extensão do Riacho Salgadinho, ou tecnicamente, da chamada Bacia Hidrográfica do Reginaldo, mostra um quadro realmente desolador. Os vários braços da bacia cortam praticamente toda a cidade de Maceió, passando por cerca de 10 bairros da capital, fazendo parte da vida de mais de 300 mil pessoas que moram no Benedito Bentes, Santa Lúcia, Serraria, Gruta de Lourdes, Farol, Pitanguinha, Feitosa, Jacintinho, Vale do Reginaldo até, finalmente, despejar suas águas na Praia da Avenida ? poluindo aquela que até a década de 70 era uma espécie de Copacabana de Maceió. Só para se ter uma idéia, de acordo com a Superintendência de Limpeza Urbana (Slum), nos períodos de chuvas intensas são recolhidas mais de 300 toneladas de lixo na Praia da Avenida. Promessas Há décadas se fala num projeto de despoluição do Riacho Salgadinho, que até o momento não se concretizou, apesar das promessas de diversos prefeitos ? incluindo a da prefeita Kátia Born, que pôs sua saúde em risco ao tomar banho na Praia da Avenida apenas para pagar uma promessa de campanha que nunca foi concretizada. Mas, afinal, será que o futuro prefeito poderia, realmente, fazer com que o Salgadinho volte a ser um riacho de águas límpidas? Realidade Segundo o engenheiro civil Gustavo Carvalho, assessor de meio ambiente da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), é praticamente impossível que isso venha a acontecer. Para Carvalho, o que pode ser feito, realisticamente, são investimentos para melhorar as condições sanitárias das áreas mais populosas que cercam o riacho. ?Já existe a proposta de um programa no governo do Estado para melhorar as habitações das áreas à margem da Bacia do Reginaldo, investindo em obras de saneamento básico, que inclui o esgotamento sanitário e o tratamento de lixo?, diz o engenheiro, reconhecendo que a principal dificuldade para a despoluição se deve à grande concentração de moradias sem saneamento na beira do Riacho.

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