Cidades
PELO MENOS 4 PESSOAS FORAM VÍTIMAS DE BALA PERDIDA ESTE ANO EM ALAGOAS
Grávida de 7 meses é vítima mais recente de suposta disputa territorial entre grupos criminosos
O caso da jovem Aryadna Marcella, de 24 anos, que morreu no último dia 16 em consequência de bala perdida, em Maceió, chamou a atenção para o número de ocorrências desse tipo em Alagoas. Só em 2022, foram quatro casos de balas perdidas - média de um caso por mês -, três resultantes de troca de tiros entre traficantes de grupos rivais, segundo investigações da Polícia Civil (PC).
Aryadna, que estava grávida de 7 meses do quarto filho, saía da casa de uma amiga, na Levada, e aguardava, na porta do imóvel, o transporte por aplicativo que havia solicitado, quando foi atingida por bala perdida de suposta troca de tiros entre facções rivais. Aryadna foi socorrida ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde precisou ser internada no sábado (9). O bebê que ela esperava morreu no mesmo dia, enquanto a mãe morreu no último sábado (16). O delegado Thiago Prado lamentou o fato:
“Casos como este ocorrido na Levada mostram a triste realidade da periferia, que ainda sofre com mortes decorrentes do crime organizado. Pessoas como Aryadna, que não tem qualquer relação com essa guerra, acabam sendo atingidas”. Ainda segundo Prado, que investiga o caso, os criminosos seriam da região do Bom Parto, bairro vizinho da Levada. “Os criminosos fugiram para o Bom Parto, após o crime, e, até o momento, não foram identificados”, acrescentou.
A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) segue em diligências a fim de prender os suspeitos desse caso e dos demais. Qualquer informação pode ser denunciada de forma anônima, através do 181, conforme assegurou o delegado. A mãe de Aryadna pediu justiça e disse que a filha “nunca fez mal a ninguém”.
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DUAS CRIANÇAS DE 8 E 5 ANOS FORAM FERIDAS A TIROS DURANTE ASSASSINATOS EM RIO LARGO
Outro caso que chamou a atenção foi o do pequeno Rafael dos Santos, de 8 anos. O menino foi atingido na perna, no município de Rio Largo. Ele passava no momento em que um indivíduo chegou para matar outro e acabou atingido. Socorrida, a criança sobreviveu. O caso aconteceu em fevereiro.
Também em Rio Largo, uma criança de 5 anos ficou ferida após ser atingida por um disparo de arma de fogo em ato que resultou na morte de um jovem de 19 anos, identificado como José Jerbson Porfírio da Silva. Segundo a Polícia Militar (PM), ele levou mais de 10 tiros em diferentes partes do corpo em fevereiro.
O quarto caso teria ocorrido há duas semanas, conforme relato da deputada Flávia Cavalcante, em discurso ontem na Assembleia Legislativa (ALE).
A parlamentar disse que esteve na Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) com a prefeita de São Luiz do Quitunde para pedir mais segurança no município. Ela contou que um jovem foi baleado na porta de casa, onde estava sentado após voltar da igreja. Ele foi socorrido, mas morreu. Os tiros teriam sido disparados por gangues rivais que atuam na cidade.
A reportagem entrou em contato com a SSP para solicitar dados de casos de balas perdidas ocorridos em 2021 no Estado, mas foi informada que os números não constam nos dados do órgão. Nas estatísticas oficiais os casos são computados como homicídio ou tentativa de homicídio.