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A dif�cil busca dos desaparecidos em Alagoas

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ODILON RIOS EDNELSON FEITOSA As polícias Civil e Militar, organizações não-governamentais e entidades alagoanas ligadas aos direitos humanos não sabem quantos são os desaparecidos em Alagoas, tampouco têm algum tipo de serviço para ajudar as famílias que tenham algum parente desaparecido. Na Polícia Civil, por exemplo, o próprio diretor do Departamento de Informática e Estatística da Secretaria de Defesa Social, Egivaldo Lopes de Messias, admite a falta de ações dos órgãos governamentais. ?Não existe banco de dados dos desaparecidos na secretaria e não temos a menor idéia a respeito disso?, resumiu. Segundo ele, o cadastro dos desaparecidos está sendo formulado pela secretaria, mas, por causa da falta de estrutura, não existe prazo para o encerramento dos trabalhos. ?A solução depende da informatização das delegacias?, afirmou. Conforme Egivaldo, o levantamento começou a ser feito em janeiro deste ano. ?Precisamos de computadores. Por causa da falta de estrutura das delegacias ainda não conseguimos terminar a formulação dos dados?, adiantou. De acordo com o diretor- geral da Polícia Civil alagoana, Roberto Lisboa, uma pessoa é considerada ?desaparecida? quando não informa seu paradeiro em 24 horas. ?Os parentes, então, vão a uma delegacia e registram a ocorrência em um Boletim de Ocorrência (BO) unificado. A partir daí, realizamos um trabalho conjunto com todas as polícias para localização dos desaparecidos?, disse. Lisboa não soube informar quantas pessoas foram localizadas por meio do trabalho conjunto das polícias. Ele disse, ainda, que na página da Polícia Civil na Internet são colocadas notas comunicando o desaparecimento de pessoas. Ossadas misteriosas Entre os casos de desaparecimento de pessoas em Alagoas - que ganhou destaque na imprensa local e nacional - estão as sessenta e quatro ossadas encontradas em cemitérios clandestinos, considerados hoje crimes insolúveis no Estado. Elas estão guardadas em sacos, numa espécie de depósito do Instituto Médico Legal Estácio de Lima. A metade (32) já está na sala do IML de Maceió há quase seis anos. Foram esqueletos humanos encontrados em três cemitérios clandestinos, localizados em canaviais próximo ao Conjunto Benedito Bentes, em 1998. O diretor do Centro de Perícias Forenses, Ailton Villanova, informou que parentes de pessoas desaparecidas têm procurado a ajuda do IML para realizar a identificação, inclusive de ossadas. No ano passado, os restos mortais do comerciante de jóias José Siqueira e de seu motorista, Magelo da Silva, foram identificados através de exame de DNA. Eles desapareceram em Coruripe, em agosto, e foram encontrados em novembro, cerca de três meses depois. Villanova anunciou que está solicitando novo exame de DNA nas ossadas encontradas na Fazenda Humaitá, em Marechal Deodoro. O Ministério da Justiça determinou que a Secretaria de Defesa Social tomasse providências no sentido de identificar um dos esqueletos encontrados no local, que ficou conhecido como Vale da Morte. Parentes do empresário carioca Roberto Carlos Santiago Leal, seqüestrado em fevereiro de 2002, na Praia do Francês, em Marechal Deodoro, acreditam que ele seja uma das vítimas de um grupo de extermínio, que tinha o envolvimento de policiais, responsáveis pelas ?desovas? no local. A reabertura das investigações foi solicitada pelo deputado Paulo Fernandes dos Santos, o Paulão, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, num encontro com o ministro Márcio Thomaz Bastos. Villanova declarou que a criação do Centro de Perícias Forenses, este ano, deu autonomia ao setor de perícias e trará resultados positivos também na área de Medicina Legal. ?Os serviços não dependem mais da Polícia Civil e haverá mais investimentos?, revelou. Continua na página E2

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