loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Fazendeiro � acusado de matar b�ia-fria

Ouvir
Compartilhar

MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? Continua um mistério o assassinato do trabalhador rural José Cláudio Nunes dos Santos, 31, um dos bóias-frias resgatado do trabalho escravo em São Paulo, em julho de 2003. Ele foi morto dois meses depois de sua volta a Alagoas, atingido por dois tiros de revólver na periferia de Arapiraca. O Ministério Público Federal de São Paulo apura o envolvimento do fazendeiro paulista Cláudio Donizete Ross Matheus. Ele é acusado de manter a família do agricultor alagoano em condições subumanas na região de Monte Mor, em Campinas. José Cláudio foi o autor da denúncia à Procuradoria do Trabalho de São Paulo de que sua família trabalhava sem receber e que não tinha permissão para deixar o Sítio Taquara, arrendado pelo fazendeiro suspeito. Segundo denúncia formulada pela Procuradoria do Trabalho ao Ministério Público Federal, o fazendeiro é acusado de pagar salário mensal de R$ 40,00 a um dos integrantes da família de José Cláudio. Uma semana antes de ser assassinado, José Cláudio Nunes teria recebido ameaças de morte de pessoas ainda não identificadas e cuja origem seria o município de Campinas, interior de São Paulo, segundo informações da Polícia Civil de Arapiraca e divulgadas dias depois do crime. Principal suspeito do assassinato de José Cláudio Nunes, o fazendeiro está foragido desde que a Justiça paulista acatou denúncia de trabalho escravo feita pela Procuradoria do Trabalho. Volta para casa Doze integrantes da família do agricultor José Cláudio Nunes desembarcaram na rodoviária de Arapiraca, no dia 17 de julho de 2003. Eles estavam há oito meses sem receber salários no Sítio Taquara Branca, região de Monte Mor (Campinas), para onde foram levados com a promessa de mudar de vida mediante trabalho legalizado e com carteira assinada. Em entrevista concedida à GAZETA, na época do desembarque, José Cláudio Nunes revelou: ?Nunca fomos tão humilhados em toda nossa vida. Felizmente, estou vivo para contar o nosso sofrimento?. Um dos responsáveis pela denúncia do trabalho escravo do qual eram vítimas seus familiares, José Cláudio também contou que trabalhava sem que o patrão respeitasse qualquer direito trabalhista. O agricultor Nelo Miguel da Silva também confirmou que a família não recebia salário há oito meses. ?Ele nos pagava pelo trabalho braçal com cheques sem fundos?, comentou. Para comer, os alagoanos contavam com a ajuda de uma comerciante, que vendia a prazo e, vez ou outra, fazia a doação de cestas básicas. ?Deixamos para trás dívida de mais de R$ 2.000,00?, contou Maria Claudivânia, outra vítima do trabalho escravo em Campinas. Na época do regresso a Arapiraca, José Cláudio Nunes contou que era seu objetivo trabalhar e economizar os recursos necessários ao pagamento de débitos deixados pela família em São Paulo. De bolsos vazios, eles conseguiram regressar ao Estado com ajuda da Procuradoria Federal, responsável pelo financiamento das passagens.

Relacionadas