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FAMÍLIAS MANTÊM PROTEÇÃO, MESMO COM FLEXIBILIZAÇÃO

Apesar do afrouxamento dos protocolos sanitários, muita gente ainda segue medidas contra a Covid-19

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Imagem ilustrativa da imagem FAMÍLIAS MANTÊM PROTEÇÃO, MESMO COM FLEXIBILIZAÇÃO
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Quase dois anos depois da pandemia, protocolos sanitários, uso de máscaras e restrições à circulação foram "afrouxados" em todo o País e a população já não é mais obrigada a usar nem sequer a máscara de proteção. No entanto, há aqueles que ainda não se sentem seguros e mantêm os cuidados.

É o caso do alagoano Júlio Trancoso, que tem 57 anos, é aposentado e mora com duas filhas, de 17 e 19 anos. Ele teve a doença no final de 2020, precisou ficar internado na UTI por 10 dias, e mantém os cuidados. Mas reconhece: “A rotina de hoje não está igual à do início da pandemia”.

“Os cuidados continuam, mas não como aqueles do início da pandemia, tenho que ser sincero. Antes, não saia de casa de jeito nenhum. Até para comprar as coisas era por delivery. Eram máscara 24h e álcool em gel nas mãos. Também fiquei no pé das minhas filhas para elas se cuidarem. Hoje, estou um pouco mais liberal. Me permito sair de casa e fico sem a máscara em lugares abertos. Mesmo com medo, tenho fé na vacina”, acrescenta.

Na casa da estudante Izabella Freittas, de 26 anos, moram ela e mais quatro pessoas: seus pais, um irmão e uma irmã. Eles sempre foram cuidadosos com a saúde, mas acabaram testando positivo para a Covid-19 no início do ano. Por isso, os cuidados na residência dela ainda continuam e a família só sai de casa para atividades necessárias.

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“Minha mãe trabalha em uma farmácia e chegou em casa, meses atrás, sentindo os sintomas. No primeiro dia achamos que era gripe, mas ela começou a ter falta de ar, então, a partir do segundo dia que ela apresentou os sintomas, eu , meu pai e meu irmão também começamos a sentir. Fizemos o teste e deu positivo. Só a minha irmã que não pegou”, conta Izabella.

Ela não perdeu ninguém da família para a doença, porém, viu alguém próximo morrer por causa do vírus. Isso preocupou ainda mais Izabella, mas hoje, com a vacina, diz que se sente mais segura.

“Só não deixo de lado algumas medidas de segurança”, diz. “Não me sinto segura em andar sem máscara em locais fechados, e nem em ônibus, mas na rua, quando estou longe de pessoas, não uso mais máscara. Porém, em ônibus e locais fechados continuo usando ", completa.

PESSOAS ACOMETIDAS PELA DOENÇA TÊM MAIS RIGOR COM PROTOCOLOS

Jean Nascimento, de 25 anos, mora com a mãe, de 54 anos, e o pai idoso, de 75. Os cuidados em casa continuam pela segurança do pai, mas a família já encara flexibilização.

“Diferente do começo da pandemia, quando existia todo aquele medo do vírus, hoje estamos mais tranquilos, principalmente porque estamos vacinados. Mas, alguns cuidados continuam. Usamos álcool em gel e máscara nos lugares obrigatórios. Confiamos na vacina, mas, ainda precisamos ficar atentos. O vírus não morreu”, comenta.

“Evito lugares com muita gente, mas vez ou outra, eu e meus pais vamos a bares e restaurantes. Meu pai, nesses lugares, usa máscara. Não deixo ele tirar’, diz.

Na casa de Jean, apenas a mãe dele teve Covid. Foi leve, mas, ainda assim, deixou o jovem com medo, por isso ele continua se protegendo e protegendo os “seus”.

PERDA

A psicóloga Lidiane Gomes diz que é comum a sensação de medo em meio a flexibilização. Afinal, foram meses em que a população teve que lidar com medo, perdas, quarentena, máscara e distanciamento social.

“Todos, em algum momento da pandemia, tiveram medo de pegar a Covid, principalmente aqueles que perderam alguém próximo. Eles ficaram mais sentidos. A perda para o vírus, sem dúvidas, deixou traumas. Então, os cuidados tendem a se prolongar. Quem vive com sequelas é, na maioria, quem nem pensa na flexibilização”, diz.

SEQUELAS

A fotógrafa Maria Eliane Silva Melo, de 62 anos, testou positivo em 2021, ficando internada na UTI por mais de 50 dias. Maria teve 100% do seu pulmão comprometido e duas paradas cardíacas. Hoje, lida com sequelas, sendo as mais duras: perda de memória e problemas respiratórios. Ela ainda continua com os cuidados e descarta, no momento, uma flexibilização das medidas de segurança.

“As sequelas são profundas e marcantes. Passei 49 dias em coma, tomando várias medicações, como bloqueadores musculares, para manter a vida. Tive 100% de comprometimento pulmonar e duas paradas cardíacas. Portanto, ao ter alta, vieram as complicações, as sequelas. Tive perda muscular e fiquei quase 30 dias sem andar. Além disso, passei a fazer fisioterapia respiratória e muscular todos os dias. Houve também perda de memória. Enfim, quem passa por essas situações requer um comportamento de muita paciência e resignação”, disse Maria.

“Permaneço em quarentena. Não recebo visitas, nem faço visitas. Evito sair, a não ser para médicos e laboratórios”, comenta, acrescentando que a Covid a deixou depressiva, com síndrome do pânico e ansiedade (G.B.)

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