Cidades
Greve dos servidores n�o p�ra aulas na Ufal
FELIPE FARIAS Os servidores técnico-administrativos da Ufal entraram em greve ontem por tempo indeterminado em protesto, segundo eles, pelo atraso na implantação de um plano de carreira. O comando de greve informou que a estratégia será radicalizar o movimento, levando a paralisação até o Hospital Universitário (HU), cujos servidores não aderiram as quatro últimas mobilizações. As aulas não param porque a categoria não inclui os professores, mas deve haver prejuízo às atividades práticas, que dependem dos técnicos. Apesar de não paralisarem as atividades agora, os docentes já tiraram indicativo de greve porque também têm reivindicações não atendidas pelo governo federal. Ontem eles fizeram uma assembléia, mas não havia número suficiente para votação. Por isso, uma nova plenária ficou marcada para a próxima quinta-feira. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Ufal (Sintufal), que representa os técnico-administrativos, a categoria reúne de 1,8 mil a 2 mil servidores. ?De porteiros e vigilantes a médicos e enfermeiros?, disse Iolanda Santana, coordenadora da entidade. A decisão foi tomada em assembléia realizada às 10h30, na Cidade Universitária, da qual a categoria já saiu em greve. Segundo a coordenadora, a paralisação é motivada pelo não cumprimento de um acordo firmado no último dia 19 de maio. No documento, segundo a entidade, o governo se comprometia a encaminhar ao Congresso o projeto de um plano de carreira da categoria até 15 de junho. Mas o prazo expirou e o termo não foi cumprido. ?O governo quer votar outros projetos, só de seu interesse, e esquece dos servidores. Com a chegada do recesso de meio de ano, esse projeto certamente não será apreciado?, reclamou Iolanda. Segundo ela, das 48 instituições federais de ensino superior (IEFs) do país, 44 já paralisaram as atividades, pelo mesmo motivo. Para hoje está previsto um ato público num dos acessos ao HU. A manifestação está prevista para as 7h, no portão de entrada de pacientes. A coordenadora do Sintufal disse que o objetivo é paralisar o ambulatório da unidade a partir de hoje. ?Os servidores do HU não vêm aderindo sob o argumento de que ele presta atendimento a população. Não haverá piquete impedindo o acesso de quem quiser trabalhar, mas vamos tentar conscientizar os funcionários sobre a importância de reivindicarmos?. As estudantes do penúltimo ano de Nutrição, Ana Paula Lopes, Sharlene Dias e Elaine Cristina Bezerra, dizem que a greve dos técnicos deve prejudicar as atividades docentes. ?Todos os cursos da área de saúde têm aulas em laboratório, que dependem dos técnicos?, disse uma delas. Como ainda não estão no fim do curso, elas dizem achar que o prejuízo não será muito grande. Por causa da última greve, os alunos da Ufal não tiveram recesso de meio de ano, em 2004; mas apenas seis dias de suspensão das aulas, devido ao período de festas juninas.