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Sem-terra s�o baleados em fazenda de Atalaia

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FELIPE FARIAS Dois trabalhadores rurais de um acampamento do MST em Atalaia foram baleados na noite de quinta-feira. Damásio da Silva, 48, e o outro, identificado apenas como José Pedro, foram levados para Maceió. Segundo informações dos próprios acampados, um deles teria levado um tiro na mão e o outro, na cabeça, e se encontrava em estado grave. Mas, até o início da noite de ontem não havia registro de entrada de feridos à bala na Unidade de Emergência, provenientes do município, e nem a própria coordenação local do movimento sabia informar para onde as vítimas foram encaminhadas. Militares do Centro de Gerenciamento de Direitos Humanos (CGDH) da Polícia Militar (PM) foram ao local realizar as apurações. Segundo o diretor da unidade, coronel PM Adilson Bispo, informado do caso em Brasília, onde está, o episódio foi motivado por intrigas pessoais, sem relação com questões agrárias. Mas a coordenação do MST em Alagoas distribuiu nota à imprensa denunciando que o crime foi promovido por fazendeiros da região, ?incomodados com a presença dos sem-terra?. A Fazenda São Sebastião, onde está o acampamento das vítimas, é vizinha de outro imóvel rural reclamado pelos movimentos sociais no município, a Fazenda São Pedro, onde o sem-terra José Elenilson foi assassinado há quatro anos, no episódio que desencadeou a mais grave crise da luta pela reforma agrária em Alagoas. Baleados Segundo testemunhas, os dois acampados vinham do povoado Ouricuri, na zona rural de Atalaia, em direção à fazenda, onde fica o acampamento, quando foram feridos. A fazenda foi ocupada em abril e, de acordo com a coordenação do MST, no momento existem 120 famílias no imóvel. Segundo a nota, no caminho os dois foram abordados e baleados. Os tiros chamaram a atenção de moradores da região e de outros membros do movimento. Damásio e José Pedro foram socorridos e retirados do município. Os acampados informaram à PM e à coordenação do movimento que, dos dois, o que levou o tiro na cabeça deixou o local em estado grave. O tenente PM Iran Rêgo foi designado pelo comando do CGDH para deslocar-se até a região e promover as apurações sobre o crime. Seu relatório foi baseado no boletim de ocorrência da delegacia da cidade. O oficial informou que o clima em Atalaia não era de tensão no dia seguinte ao atentado. ?Os acampados estavam bloqueando o acesso à fazenda antes do crime, como forma de pressionar o governo a atender suas reivindicações. Mas, a princípio, não podemos dizer que esse bloqueio esteja relacionado ao atentado?, disse o militar. Na nota distribuída à imprensa, o MST diz que desde 2000, quando houve a ocupação da Fazenda São Pedro, militantes e acampados vêm sofrendo pressão de fazendeiros e ?de pessoas influentes?. ?Essa ação mostra mais uma vez que os conflitos com os sem-terra, partem dos fazendeiros, que não querem ver a reforma agrária acontecer?, diz a nota. O superintendente do Incra, Gino César Meneses Paiva, disse que o problema se repete em todo o país.

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