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Cidades

INFECTOLOGISTAS DEFENDEM USO DE MÁSCARAS PARA PROTEÇÃO EFICAZ

Especialistas alertam que pandemia não acabou e número de casos ainda pode voltar a subir

Por Jamylle Bezerra | Edição do dia 14/05/2022 - Matéria atualizada em 13/05/2022 às 22h57

Está cada vez mais difícil encontrar pessoas usando máscaras de proteção em ambientes abertos ou fechados. Os números relacionados à doença no estado, em queda há semanas, contribuem para a flexibilização das restrições. Com os casos suspeitos e os confirmados diariamente em baixa, e a ocorrência de óbitos bastante espaçada, quando comparado aos registrados nos picos da doença, Alagoas vive nova fase, semelhante ao período pré-pandemia.

Apesar do cenário positivo, no entanto, especialistas alertam que, em outros países, a situação é delicada, como na própria China, onde tudo começou. Diante disso e de tantas dúvidas relacionadas ao tema, a Gazeta ouviu infectologistas, que são especialistas no assunto. Eles são unânimes ao afirmar: a pandemia da Covid-19 ainda não acabou e exige bom senso.

“Estamos presenciando em várias cidades do Brasil e em Alagoas o vírus ainda circulando e positividade nos exames realizados. O que há é uma variabilidade dia após dia, diminuindo e crescendo o número de casos, e isso é sinal de que o coronavírus não foi embora”, afirma o infectologista Renee Oliveira, lembrando que o vírus não conhece fronteiras e circula forte em outros países.

Com a flexibilização do uso das máscaras, o médico destaca que a população precisa estar ciente do momento em que ainda é necessário usá-la. Em ambientes abertos, com distanciamento entre as pessoas e em ambientes fechados amplos, com circulação boa de ar, Renee Oliveira diz que é tranquilo retirar o item de proteção. Mas em locais fechados, sem circulação de ar e com um percentual não satisfatório de vacinação, ainda é preciso usar.

“É necessário que a nossa população tenha um bom senso. Nas escolas, por exemplo, enquanto não chegarmos a um percentual aceitável de cobertura vacinal entre as crianças, é necessária a manutenção das máscaras”, pontua Renee.

A mesma opinião é compartilhada pela infectologista Mardjane Lemos. Ela ressalta que o uso da máscara de proteção é mais eficaz quando ocorre de forma coletiva. Em um ambiente cheio de pessoas, onde só uma ou outra faz uso do item de proteção, a eficácia fica restrita e ainda é possível contrair o vírus. “No momento, o vírus está circulando pouco, graças, principalmente, às vacinas. Mas continuamos confirmando casos de Covid, com pouquíssimas internações, felizmente. Porém, deixar de usar máscara, especialmente em se tratando de uma doença que a gente leva um tempo até perceber que ela, de fato, está circulando com força, porque é necessário acumular um grande número de casos, que leva à internação hospitalar e à percepção da gravidade, pode fazer com que esse vírus volte a circular com força a qualquer momento e, além disso, dá a falsa sensação de que está tudo bem, mas não está, porque ainda estamos vivendo uma pandemia”, conta a médica.

MÉDICA ALERTA PARA CONSEQUÊNCIAS AINDA DESCONHECIDAS DO VÍRUS

A médica infectologidsta Mardjane Lemos chama a atenção para as consequências ainda desconhecidas da Covid-19. 

“Eu faço um alerta importante sobre as outras consequências ainda desconhecidas das sequelas tardias da Covid, como as que podem afetar as crianças que não foram vacinadas ainda, por causa da idade. Um exemplo é essa hepatite misteriosa que está circulando. Já há elementos que indicam a possibilidade de ter uma infecção sequencial por Covid e por outro vírus, o Adenovírus, ou por ambos ao mesmo tempo, que em algumas pessoas predispostas levaria a uma hepatite autoimune, como em crianças, por exemplo. Portanto, ainda não é momento de tirar as máscaras. O uso de máscaras não é uma medida difícil, é uma medida simples, de baixo custo, que só funciona se a maioria usar”, pontua. 

MORTE ZERO

O médico Renee Oliveira diz que o foco agora é atingir óbito zero por Covid-19. Para isso, ele ressalta a importância fundamental da vacinação. 

“Temos que considerar que talvez o indicador mais importante para avaliar essa questão seja a vacinação. O quantitativo da nossa população com os índices de vacinação, suas doses e mesmo a dose de reforço, como estamos hoje em relação a esse indicador. O Brasil está chegando perto de 80% em relação às duas doses. Mas em Alagoas e em Maceió não estamos nesse patamar, estamos bem abaixo. Temos um número grande de pessoas que precisam completar a segunda dose e que ainda não foram em busca da terceira, para completar o reforço. É essa terceira dose que vai fazer com que, no caso do aparecimento de novas variantes, a população tenha uma proteção maior. A cobertura vacinal é hoje, o fator mais preocupante”, fala o especialista. 

Ele completa ressaltando a necessidade de zerar os óbitos pela doença. “Sendo assim, levando em consideração a cobertura vacinal, ainda precisa melhorar. Levando em consideração o número de óbitos, estamos em uma situação boa, mas temos que focar em óbito zero. Não podemos ter mais pessoas morrendo de Covid-19 para dar uma tranquilidade. Temos que considerar também o percentual de positividade dos testes realizados. E a cobertura vacinal, principalmente quando liberamos o uso da máscara em ambientes fechados e em ambientes com aglomeração grande de pessoas, como as festas. Isso precisa ser levado em consideração”, diz o médico.


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