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Cidades

GESTÃO DE RESÍDUOS EM AL ENVOLVE DESCARTE EM ATERRO E COLETA SELETIVA

Mais de 30 mil toneladas de lixo são recolhidas mensalmente em Maceió; cooperativas recolhem 140

Por Jamylle Bezerra | Edição do dia 14/05/2022 - Matéria atualizada em 13/05/2022 às 23h37

Imagine cerca de 2.700 caminhões de lixo enfileirados e carregados de resíduos. Difícil até de pensar né? Mas esse é o quantitativo de veículos do tipo capaz de transportar todo o lixo produzido somente na capital alagoana mensalmente: um total médio de 30 mil toneladas. Atualmente, toda essa quantidade de resíduo que é recolhida em Maceió tem como destino final o aterro sanitário, mas por aqui também é feita a coleta seletiva, o que ajuda a reduzir a quantidade de material destinado ao aterro, fazendo com que seu tempo de vida útil seja prolongado. O recolhimento dos resíduos em Maceió que seguem para o aterro é feito por duas empresas, sendo uma responsável pela coleta na parte alta da cidade e outra na parte baixa. Elas recolhem, além do lixo domiciliar, os entulhos de construção civil, os galhos provenientes de podas e os resíduos descartados em pontos considerados crônicos na cidade, que são mais de 200, conforme a Superintendência Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Sudes). A coleta seletiva atende na capital 16 mil residências, situadas em diversos bairros da parte alta e baixa. Ela é feita por quatro cooperativas contratadas pelo município. Seus membros percorrem as casas fazendo o recolhimento, porta a porta, do material que vai ser reaproveitado. Além das cerca de 30 mil toneladas de lixo destinadas ao aterro, as cooperativas são responsáveis por recolher uma média mensal de 140 toneladas de recicláveis. Esse quantitativo é alcançado através da coleta seletiva nas casas e do recolhimento nos 32 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), que estão espalhados em pontos estratégicos da cidade, como as praças, e são um convite para que as pessoas separem o lixo e depositem o que pode ser reciclado no local. De acordo com a diretora de Planejamento e Serviços Especiais da Sudes, Kedyna Tavares, as quatro cooperativas que atuam na coleta seletiva da capital contemplam 27 bairros. “Elas fazem um trabalho fundamental, contribuindo para que uma grande quantidade de material deixe de ir para o aterro”, pontua.

ATERRO SANITÁRIO

Em operação há 11 anos, o aterro sanitário da capital já passou da metade do tempo que tinha de vida útil quando foi construído: 20 anos. Com mais nove anos pela frente, o local deve passar, até lá, por uma ampliação para que possa receber mais resíduos. Dentro de poucos anos, estudos devem ser realizados para avaliar a viabilidade da ampliação. O fato é que, a existência dos lixões, vivenciada por muitos anos na capital, não deve mais ser uma realidade. E assim acontece não só na capital, mas em todo o estado, que não conta mais com nenhum lixão em atividade, conforme determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos do país. Atualmente, todo o lixo produzido em Alagoas tem como destinação o aterro de Maceió; o do Pilar, que recebe os resíduos da Região Metropolitana; o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) do município de Craíbas, que atende a região do Agreste, e o CTR de Olho d’Água das Flores, que abrange os municípios do Sertão. De acordo com a assessora técnica da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Brígida Alencar, sete consórcios foram criados para abranger todos os municípios do estado e acabar, de uma vez por todas, com os lixões. Hoje, a maioria das cidades de AL aderiram a esta modalidade de consórcio e poucas fazem o recolhimento dos resíduos diretamente com uma empresa especializada, que dá a destinação correta ao lixo produzido pela população. Além disso, também há em Alagoas as estações de transbordo, que são pontos estratégicos onde os resíduos são depositados para, em seguida, serem recolhidos pelas empresas. Delmiro Gouveia, no Sertão, já conta com uma estação e Girau do Ponciano está prestes a inaugurar a sua. “Os consórcios foram resultado de um conjunto de esforços, que fez com que, em 2018, todos os lixões tivessem sido fechados no estado. A formação de consórcios foi uma iniciativa do governo em 2011 e em 2014 a AMA entrou com uma parceria para montá-los. Alagoas foi dividida em sete regiões e fizemos várias reuniões para incentivar a adesão dos municípios. Depois disso, o Ministério Público também passou a integrar o grupo e deu um prazo para que os municípios fechassem os lixões. Foi um conjunto de esforços da iniciativa privada, da AMA, do MP e das prefeituras até conseguirmos o nosso objetivo”, afirmou Brígida. Ela destaca que a gestão correta do lixo é uma questão de saúde pública. Os municípios investem para dar a destinação correta aos resíduos mas, ao mesmo tempo, economizam com a rede de saúde, tendo em vista que muitas doenças deixam de acometer a população com o fim dos lixões. Agora, a preocupação é transformar os locais onde funcionavam os lixões em áreas recuperadas, que possam ser utilizadas pela população para outras finalidades, como praças públicas, quadras e outros equipamentos do tipo. “O que nós tínhamos aqui era uma coisa assustadora, com cerca de 90% dos municípios com lixões a céu aberto. E o nosso maior desafio foi fazer o acompanhamento dos locais onde esses lixões funcionavam. A nossa preocupação era conscientizar os prefeitos para que a população não fizesse do local um novo lixão”, conta Brígida.

O prazo para apresentação do projeto de recuperação das áreas seria estipulado pelas comarcas de cada município, com acompanhamento do Ministério Público Estadual.

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