Cidades
S�vio: Maior arma est� na m�o do poder
O sociólogo e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Sávio Almeida fala sobre as raízes e a história da violência no Estado. Ele defende a campanha do desarmamento e o fim de privilégios Leia abaixo a entrevista. Quais as causas da violência? Caracterizar causas e razões da violência é uma tarefa extremamente difícil, pela complexidade e pelo espaço que ela ocupa no cotidiano, desde a institucionalizada até as formas mais difusas, aparentemente brandas. Normalmente, quando se fala de violência vem à tona o aspecto mais ?físico? dela: a morte, o atentado, o sangue. É que a idéia foi marcada pela evidência física. A violência, porém, é tudo aquilo que agride a integridade do outro enquanto pessoa e enquanto sujeito de direito. Então, relacionar as causas da violência é um exercício que obrigatoriamente aponta para a necessidade do exame concreto daquilo que ocorreu. A estrutura social tem a ver com isso? Evidentemente que sim; mas, como já disse, a questão não se esgota nela, embora, para nós, a miséria seja algo contundente. Acontece, por outro lado, que o poder tem um comportamento ambíguo: tende a ser compassivo com um grupo e altamente condenatório com outro ou seja: integra a violência de alguns até como modo de se manter e condena a do outro, quase sempre quando isso o afronta. Acha que o desarmamento é necessário? Claro que sim. Mas ele deve vir composto por dois momentos integrados. Em um, os privilégios devem sumir e, em outro, a noção de arma deve ir além do aspecto policial. Não se pode ir apenas em busca de armas de fogo e similares que circulam. O poder tem que encontrar fórmulas de intervenção no cotidiano, capazes de atuar na estrutura. A maior arma está na mão do poder. Existe uma ligação intrínseca entre a violência e a sociedade alagoana? À medida que é construída a matriz de produção em Alagoas, para cumprir os objetivos coloniais, seriam montadas uma economia dependente, uma sociedade excludente e uma política violenta. Em aulas que eu dava na universidade sobre o que era chamado de Realidade Alagoana na disciplina, eu começava pela demonstração disto e perguntava sobre o que se transformou. As classes quase que coletivamente chegavam à conclusão de que mudando o que deveria ser mudado, nada havia substancialmente se transformado. Este é o problema. As mudanças em Alagoas são extremamente lentas e a sociedade demora a se renovar.