Cidades
Armas responderam por 74% dos crimes
As armas de fogo encabeçam as estatísticas de mortes ocorridas em Alagoas, segundo levantamento da Secretaria de Defesa Social (SDS). Dos 1.126 homicídios registrados no ano passado, elas estavam associadas a 809 deles; o que corresponde a 71,84%. Em tese, é de supor que, reduzindo sua circulação e uso, a incidência desses crimes também poderia cair. ?As armas de fogo estão associadas à maioria dos crimes. Daí a necessidade das campanhas de desarmamento?, sustenta o advogado Mirabel Alves, do Fórum Estadual de Combate à Violência. Segundo ele, no Brasil são praticados 50 mil homicídios por ano. De acordo com números do IBGE, de cada dez, sete são praticados com armas de fogo. O levantamento da SDS é feito com base em dados fornecidos pelo Instituto Médico Legal (IML). Foram pesquisados o de Maceió e o de Arapiraca. Nos exames de necropsia, o meio utilizado para provocar o óbito é relacionado em uma entre cinco categorias: arma de fogo, arma branca, instrumento contundente, instrumento corto-contundente e múltiplos instrumentos. Na primeira, estão revólveres, pistolas e demais armas longas. No segundo, facas; no terceiro, os que provocam lesões semelhantes a pancadas; no quarto, ferimentos múltiplos e no quinto são relacionados os homicídios em que uma mesma morte é provocada por instrumentos diferentes. Mas, seja qual for o mês analisado, as armas de fogo são as mais empregadas em crimes. E de modo disparado. Em janeiro deste ano, por exemplo, foram registrados 102 homicídios. Deles, 62 foram causados por armas de fogo e 32 por armas brancas. Somente na região de Arapiraca foram registrados assassinatos provocados por instrumentos contundentes e corto-contundentes; 2 e 1, respectivamente. Na Grande Maceió, houve sete casos de mortes causadas por instrumentos diferentes. As armas de fogo foram responsáveis por 60,78% dos homicídios. Apreensões As estatísticas da Polícia Militar também demonstram que o trabalho ostensivo pode dar mais resultado em termos de apreensões. Segundo o Comando de Policiamento da Capital (CPC), ao longo de 2003 foram apreendidas 502 armas pelas onze unidades que atuam na Grande Maceió. Até junho, foram apreendidas 215. Em janeiro, os vários batalhões realizaram 22 apreensões em diversas operações. Mas o trabalho ostensivo da Radio- patrulha resultou em vinte apreensões, no mesmo período.