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Alagoas ainda resiste ao desarmamento geral

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FELIPE FARIAS A bala atingiu o ombro do neto de José Olímpio do Nascimento, morador de Campo Alegre. O disparo foi feito pelo irmão, de dez anos, com a arma do avô, achada sob o colchão. A bala não precisou ser extraída porque, disseram os médicos, não colocava em risco a vida do menino de seis anos, mas passou a poucos centímetros da cabeça. Além da coincidência, o episódio ocorrido no Agreste de Alagoas, na semana do lançamento da campanha pelo desarmamento promovida pela Organização Arnon de Mello, mostra de modo emblemático dois aspectos associados às chamadas armas de fogo. O primeiro, e óbvio, é o risco de tê-las em casa, ainda que escondidas. O caso de Campo Alegre é rigorosamente parecido com tantos outros que ao longo dos anos recheiam a crônica policial e que geralmente têm crianças como vítimas. O segundo, porém, é de uma curiosidade desconcertante: ao invés de livrar-se da arma de fabricação artesanal de calibre 32, Olímpio disse apenas que tentaria mudá-la de lugar, para que os netos não repetissem mais a ?brincadeira?. Afinal, Olímpio revelou que tinha a arma há mais de trinta anos. A campanha ?Desarme-se. Viva do lado do bem? tentará conscientizar a população sobre o perigo das armas de fogo, desfazendo o mito de que uma arma é sinal de segu-rança. ?Quando a pessoa está armada, sua tendência é ter uma reação mais violenta do que teria se não estivesse com uma arma. Além disso, ela fica mais propensa a cometer um crime?, explica o promotor Márcio Tenório. Com base em dados fornecidos pelos Institutos Médicos Legais (IMLs) de Maceió e de Arapiraca, a Secretaria de Defesa Social registrou 1.126 homicídios no ano passado, dos quais 809 (71,84%) foram praticados com arma de fogo. E o que as torna ainda mais perigosas é que não acabam somente com a vida de vítimas e parentes. ?Não bebo, não fumo e nunca fui preso. Mas minha vida desmoronou. Tudo porque eu estava armado?, diz Valdir Antônio do Nascimento, 27, que cumpre pena de 25 anos por homicídio. Responsável pelo policiamento da capital, o coronel PM Jorge Coutinho diz que há um aspecto ainda mais preocupante em a população estar armada. ?Cada mês nós temos um número significativo de apreensões e esse número se mantém. O que se imagina é que ele fosse diminuindo à medida que vão se repetindo as operações ? e não é isso que ocorre?, alerta.

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