Cidades
Minha vida desmoronou porque estava armado
O relato do balconista Valdir Antônio do Nascimento, de 27 anos, mostra que as armas são uma ameaça também para quem está por trás delas, por mais surrado que pareça esse chavão. ?Está vendo esta laje??, pergunta, mostrando o teto de um refeitório no Presídio Baldomero Cavalcanti, onde cumpre pena de 25 anos por homicídio; ?imagine ela desmoronando. Foi assim com a minha vida, que desmoronou porque eu estava com uma arma?. O caso de Valdir incorpora alguns dos aspectos mais dramáticos que as autoridades citam no risco de estar armado: por muito pouco, alguém pode passar à condição de criminoso em um só instante, por um motivo banal e contra quem menos se imagina, apenas por causa da arma que tem nas mãos. ?Eu não bebo, não fumo e nunca tinha sido preso?, relembra ele, que foi parar na prisão por matar justamente um amigo numa situação fortuita. A vida do morador de Delmiro Gouveia começou a desmoronar em fevereiro de 1999. Ele conta que após uma discussão com o amigo Júnior, soube que ele o teria jurado. Valdir conta que entrou em desespero e foi a seu encontro, levando inclusive alguns bens do amigo que estavam em seu poder. ?Ele era muito maior que eu e partiu para cima?, revela. Hoje, ele diz ter plena consciência de que foi a arma que portava o fator que tirou a vida do amigo e fez a sua desmoronar. ?Se eu não estivesse armado, acho que não teria feito aquilo?, confessa. Valdir é considerado um preso de bom comportamento e não poupa críticas à causa de seu problema. ?Arma não dá futuro, não. É só para a polícia, mesmo. Eu só tenho esposa e já sinto por ela, imagina se tivesse filhos? O que eu penso aqui é só como vou arranjar um emprego quando sair?. Ele diz que a campanha pelo desarmamento é bem-vinda. O jovem de 27 anos está na prisão há cinco anos e um mês, mas sua pena é de 25 anos de reclusão. (FF)