Pesquisa
IBGE: 44 MIL ADULTOS SE DECLARARAM HOMOSSEXUAIS OU BISSEXUAIS EM ALAGOAS
Em Maceió, das 782 mil pessoas da população adulta, 18 mil se declararam homossexuais ou bissexuais
Uma pesquisa inédita realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019 e divulgada nessa quarta-feira (25), apontou que 44 mil pessoas maiores de 18 anos se declararam homossexuais ou bissexuais em Alagoas, o que correspondia a 1,8% da população adulta da época da pesquisa.
Já 37 mil não sabiam sua orientação sexual ou não quiseram responder. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) - Quesito Orientação Sexual, que investigou, pela primeira vez, e em caráter experimental, essa característica da população brasileira. Em 2019, havia 2,4 milhões de pessoas de 18 anos ou mais em Alagoas. Desse total, 96,6% se declararam heterossexuais; 1,8% homossexuais ou bissexuais; 1,5% não sabiam sua orientação sexual ou não quiseram responder; e 0,1% declararam outra orientação sexual, como assexual e pansexual, por exemplo.
“O número de pessoas que não quiseram responder pode estar relacionado ao receio do entrevistado de se autoidentificar como homossexual ou bissexual e informar para outra pessoa sua orientação sexual”, analisa nacionalmente a coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Vieira.
Em Maceió, do total de 782 mil pessoas da população adulta, 18 mil se declararam homossexuais ou bissexuais (2,3%); 2,2% se recusou a responder ou não sabia e 95,4% se declarou heterossexual.
No Sudeste, 2,1% das pessoas adultas se declaram homossexuais e bissexuais, 1,9% no Norte e no Sul, 1,7% no Centro-Oeste, e 1,5% no Nordeste. Entre as unidades da federação, o percentual de pessoas que se declararam homossexual ou bissexual chegou a 2,9% no Distrito Federal, 2,8% no Amapá e 2,3% no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Amazonas.
Nas capitais o percentual de pessoas declaradas homossexual ou bissexual foi de 2,8%, acima da média nacional (1,8%), destacando-se Porto Alegre (5,1%), Natal (4,0%) e Macapá (3,9%).
Essa foi a primeira vez que o IBGE coletou dados sobre a orientação sexual da população brasileira. As informações foram divulgadas em caráter experimental, pois ainda não atingiram um grau completo de maturidade em termos de harmonização, cobertura ou metodologia. Até então, a estatística disponível sobre a temática LGBTQIA+ no Instituto era a de casais do mesmo sexo.
A PNS captou a orientação sexual de forma similar à utilizada em grandes pesquisas domiciliares que realizam esse tipo de investigação pelo mundo. A comparação dos resultados mostra que os dados da PNS não estão aquém dos gerados por outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a coleta da orientação sexual pela autodeclaração é realizada desde 2013, a National Health Interview Survey (NHIS) mostrou que, em 2018, 3,2% das mulheres e 2,7% dos homens norte-americanos se declararam homossexuais ou bissexuais. No Brasil, a PNS, primeira experiência relacionada ao tema, mostrou que esses percentuais foram de 1,8% e 1,9%, respectivamente.
A PNS não coletou dados sobre identidade de gênero, mas o IBGE estuda metodologia para incluir esse tema em suas pesquisas, “A coleta dessa característica da população nas pesquisas domiciliares requer uma abordagem diferenciada e estudos complementares por parte do Instituto”, disse a coordenadora da pesquisa.
*Com assessoria