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Encontradas balas que mataram Jos� Joaquim

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FELIPE FARIAS As balas retiradas do corpo do eletricista José Joaquim foram encontradas e já remetidas para a Polícia Civil. Segundo o juiz Daniel Accioly, da 1a Vara Especial Criminal, onde correu o processo do caso, os projéteis estavam num armário, no cartório da Vara, usado para guardar as armas de processos de homicídio que ainda estão em tramitação. ?Agora a polícia pode apontar quem matou o eletricista?, disse o magistrado, ao anunciar o reaparecimento, em tom de desabafo, por causa da polêmica em torno das balas. É que no mês passado, a Secretaria de Defesa Social informou que as balas, sete cápsulas deflagradas e quatro ogivas deformadas, haviam desaparecido. Esses componentes da bala de uma arma são fundamentais na perícia que deve apontar os responsáveis pelo crime. ?Queima de arquivo? O eletricista foi preso após o assassinato de um policial civil, em junho de 1999. Ele foi levado para uma delegacia de polícia e torturado para confessar o crime. Mais tarde, a polícia localizou o verdadeiro assassino e José Joaquim foi liberado da prisão. Mas, antes de sair, disse que poderia identificar os agentes que tinham participado da sessão de torturas contra ele. Na madrugada seguinte, o quarto onde morava, no Vergel, foi invadido e ele executado, num dos casos mais explícitos de ?queima de arquivo?. Como José Joaquim denunciara policiais, o crime foi atribuído aos agentes que estavam de serviço no período em que ele esteve preso. Sete pessoas foram indiciadas e cinco condenadas, mas recorreram. No mês passado, uma nova perícia, a terceira desde o início do processo, estava para ser feita nas armas de dezenas de agentes quando o diretor do Centro de Perícias Forenses anunciou que os projéteis tinham desaparecido. Eles são fundamentais para o exame, denominado de comparação balística. A comparação é feita disparando-se as armas recolhidas dos agentes e comparando os projéteis que saírem com os que estão em poder da Justiça. É que a parte interna dos canos das armas provoca microscópicas ranhuras no corpo dos projéteis que disparam. Essas ranhuras são comparadas às dos projéteis colhidos no local do crime. Se baterem, fica provado que a arma foi usada na execução. Segundo o juiz Daniel Accioly, assim que a Polícia anunciou o desaparecimento das balas abriu uma investigação interna no próprio Fórum do Barro Duro. Um recibo de setembro de 2001 comprovou que os projéteis realmente tinham chegado à 1a Vara. ?Mas, como não achamos, determinei uma nova busca?, disse. Esta semana, as balas foram encontradas: estavam num envelope com timbre ainda da antiga Secretaria de Segurança Pública, em que estava anotado o número do inquérito 24/01 referente ao caso. ?O que houve foi muito estardalhaço?, acrescentou.

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