Cidades
Cratera causa novo protesto de moradores
FÁBIA ASSUMPÇÃO A ?cratera? da Avenida Pratagy, no Benedito Bentes, foi mais uma vez motivo de protestos dos moradores do bairro, ontem de manhã. Depois de uma passeata pelas ruas do conjunto, fazendo paradas em frente ao terminal de ônibus e na Prefeitura Comunitária, os manifestantes atearam fogo a pneus em frente ao buraco. O problema se arrasta há nove anos e, com as chuvas de junho, a cratera aumentou ainda mais de tamanho. A intenção dos manifestantes era fechar a pista principal do conjunto, que dá acesso à Cachoeira do Meirim. Mas, quando chegaram ao prédio do CAIC, onde se concentraram para a manifestação, foram surpreendidos com a presença de dezenas de policiais militares e acabaram mudando de estratégia. Segundo lideranças comunitárias do bairro, 26 casas foram ?engolidas? pelo buraco e mais seis estão ameaçadas. Entre os prédios em perigo está o da Escola Dom Otávio Aguiar, com mais de dois mil alunos matriculados nos ensinos Fundamental e Médio. A área de erosão está a menos de 50 metros do muro da escola, onde foram investidos R$ 800 mil para a reforma do prédio em 2002. Para recompor a erosão da Avenida Pratagy, a Secretaria de Infra-Estrutura pretende usar o material ? areia e entulhos - que será retirado da lagoa do Conjunto Graciliano Ramos. O assessor de imprensa Seinfra, Wellington Lima, explicou que os técnicos da secretaria estimam que com a escavação da lagoa serão retirados 25 mil metros cúbicos de material da lagoa. Só que, para fazer essa escavação, a secretaria depende da liberação pelo governo federal dos R$ 10,5 milhões para as obras de macrodrenagem do Tabuleiro do Martins. Os recursos também serão utilizados para fazer o desassoreamento do Rio Jacarecica. Wellington Lima confirmou que a obra de drenagem na Avenida Pratagy já foi concluída. Ação pública Durante o protesto, os moradores do Benedito Bentes não pouparam críticas ao governo do Estado e à Prefeitura de Maceió, pela demora em dar solução ao problema. Uma das moradoras do conjunto, Inês Torres, explicou que o serviço de drenagem para desviar as águas da chuva ficou pela metade. Eles querem que seja feita a recomposição da área da ?cratera?. Segundo Inês Torres, os moradores entraram com uma ação no Ministério Público desde 2002 e esperam que os responsáveis sejam punidos. O problema começou em abril de 1997, quando dez casas desmoronaram por causa da erosão. Dois anos depois, mais 15 casas foram ?engolidas?, quando a canalização da área estourou. As famílias que perderam as casas reclamam que não receberam qualquer indenização da prefeitura e moram hoje em casas alugadas. Situação ainda pior é a de Edvaldo Nascimento, que perdeu os dois filhos, Evandro, 5, e Everton, 3, quando parte do buraco desmoronou sobre sua casa, na Grota da Paz, durante o temporal de 1º de junho deste ano.