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Sistema de cotas � risco para candidatos negros

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A garantia de que 20% das vagas em todos os cursos da Ufal se destinarão a candidatos que se autodeclararem negros ou pardos não facilita o acesso dos afro-descendentes à universidade. Ao contrário, a opção, que terá que ser feita no ato de inscrição, pode significar uma exigência ainda maior, dependendo do número de negros e pardos inscritos. O próprio coordenador do vestibular, professor José Carlos Almeida, admite que a concorrência poderá ser maior entre afrodescendentes do que entre os que não disputarão pelo sistema de cotas. ?Não há favorecimento, mas sim reserva de vagas. Só que a disputa pode ser acirrada a depender do número de inscritos como negros e pardos em relação ao número de vagas?, argumenta. Para que se possa compreender, vale o exemplo das vagas para o curso de Medicina. Do total de 80 vagas ofertadas, 16 se destinam a quem se declarar negro ou pardo. E mesmo na cota há uma divisão percentual: os homens ficam com 40% e as mulheres com 60%, ou seja, 6 e 10 vagas, respectivamente. Se de 1.800 inscritos, como é a previsão da Copeve, 500 candidatos se declararem afro-descendentes, eles estarão disputando 16 vagas enquanto os 1.300 que não disputam a cota concorrerão a 64 vagas. No primeiro caso a concorrência é de 31 para uma, enquanto no segundo, de 20 para uma. Outra questão que preocupa os partidários do sistema de cotas é o critério para definir quem é negro ou pardo. Essa foi inclusive uma polêmica na Câmara de Graduação e Ensino da Ufal, que não conseguiu delimitar as condições para o aluno declarar sua cor. Mas, com ou sem cota, para o vestibular o que interessa é a capacidade. E nesse quesito, brancos, negros ou pardos, o acesso de estudantes pobres continua difícil. No vestibular do ano passado, por exemplo, do total de aprovados, 89% vieram de escolas particulares e apenas 11% de escolas públicas. A má qualidade do ensino médio, portanto, continua impedindo a democratização do ensino superior.

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