Cidades
Servidores e governo: queda-de-bra�o por sal�rio
FÁTIMA ALMEIDA De um lado, os servidores pressionando por aumento; do outro, o governo alegando a impossibilidade financeira de conceder. Entre os dois pólos, o cidadão que depende dos serviços públicos de segurança, saúde e educação é o principal prejudicado em seu direito constitucional, por causa do impasse nas negociações. A segurança pública está desfalcada há mais de um mês, devido à greve dos policiais civis. O ano letivo da rede estadual, já comprometido por falta de professores de algumas disciplinas, corre o risco de acumular prejuízos com a greve na educação.Em outros setores já se percebe o endurecimento do discurso e o prenúncio do caos: as greves começam a pipocar em Alagoas. Na quarta-feira passada o governo abriu as contas do Estado para os representantes das categorias profissionais do serviço público estadual, numa reunião no Palácio. Mostrou, com números, o perfil do Estado com relação à política de arrecadação e as dificuldades que estão emperrando a política de salários e carreiras dos servidores. Adequação O Estado conseguiu ser ouvido, mas ninguém sabe se conseguiu convencer sobre as dificuldades de adequação da folha e das despesas gerais à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e à arrecadação. A reunião terminou em clima tenso, quando os sindicatos ainda faziam suas ponderações, portanto, antes de uma evolução satisfatória nas negociações. E as reações de endurecimento que se seguiram misturam o aspecto reivindicatório com a frustração e a resposta dos servidores ao episódio do Palácio. Na opinião do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, Isac Jacson, o governo já tinha conseguido convencer boa parte dos representantes sindicais presentes de que era possível negociar em prazos mais flexíveis e em patamares menores, mas o bate-boca que encerrou a reunião do Palácio de maneira abrupta acirrou os ânimos. ?O governador perdeu o controle num momento em que se caminhava para negociações?, afirma Isac Jacson. Agora, diz ele, ?as categorias reativam suas bandeiras originais: exigir o cumprimento da data-base e a reposição da inflação?.