Cidades
Sindicato questiona an�lise de combust�vel em AL
FÁBIA ASSUMPÇÃO O presidente do Sindicato dos Proprietários de Postos de Combustíveis em Alagoas (Sindicombustíveis), Mário Jorge Uchôa, considera estranhos os índices de adulteração de combustíveis apresentados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que colocam Alagoas como o primeiro no ranking nacional de adulteração. A análise feita pela ANP, em junho, das causas da não-conformidade da qualidade da gasolina, 30% se referiam ao teor de álcool na gasolina; 10% destilação e 60% outras, que não foram esclarecidas. Para ele, pela própria análise apresentada pela agência fica comprovado que 70% da não-conformidade está relacionada a questões que fogem da responsabilidade dos postos de combustíveis. ?Dos 15,8% dos índices de não-conformidade que foram apresentados pelas análises da ANP na gasolina, podemos dizer que 11,6% não competem aos postos fazer a análise?. Ele rechaça também que tenha havido um aumento tão significativo do índice de adulteração de combustível em Alagoas, levando o Estado a voltar à primeira colocação no País. Em março, esse índice era de apenas 1,8%; em abril saltou para 2,4%; em maio para 6,9% e finalmente em junho para 15,8%. Aperto na fiscalização Ele acredita que o aperto dado pela Secretaria da Fazenda na fiscalização do álcool anidro, que sai das usinas de cana-de-açúcar, pode ter sido um dos fatores para o crescimento do índice de adulteração. Apesar de desenvolver uma campanha de Posto Nota 10, há três anos, dos 350 postos existentes no Estado, apenas 250 são associados ao Sindcombustíveis. E dos associados, apenas 174 participam da campanha. Os postos que participam da campanha têm o combustível analisado duas vezes por mês. Segundo ele, pelos próprios critérios definidos pela ANP para o controle da qualidade do combustível, seriam de responsabilidade dos produtores (refinarias) 17 tipos de análises; pelas distribuidoras seis análises e aos postos apenas três: aspecto da cor (sem corantes), teor de álcool na gasolina (que deve ser 25%) e densidade. O coordenador de Desenvolvimento Institucional da Secretaria da Fazenda (CDI/Sefaz), Marcos Garcia, não vê qualquer relação entre a operação fiscal para reduzir os índices de sonegação nas usinas com o aumento do índice de adulteração nos combustíveis. Pelo contrário, ele acredita que isso venha contribuir para manter um controle maior sobre o setor. Sem resposta Marcos Garcia diz que a Secretaria da Fazenda ainda não tem uma resposta para que Alagoas tenha voltado a ocupar o primeiro lugar no índice de adulteração de combustível no País. ?Estamos aguardando o resultado oficial das análises feitas pela ANP para comparar com as que foram feitas nos postos que participam da Campanha Posto Nota 10?. Apesar dos bons resultados obtidos pela campanha, o coordenador do CDI acredita que o controle da qualidade do combustível poderia ser ainda melhor se todos os postos fossem obrigados a fazer a análise periódica dos combustíveis, como acontece com os que participam da campanha. Marcos Garcia reclama também da falta de engajamento das distribuidoras e da própria ANP na campanha. ?Estamos tentando um acordo com a ANP para estender a campanha a todos os postos de combustíveis do Estado, mesmo àqueles que não são associados ao sindicato?, diz.