Cidades
Solicita��o da guia de tr�nsito � o primeiro passo
Na quarta-feira, o governo detalhou o recolhimento de armas, previsto no Estatuto do Desarmamento, mas somente amanhã é que a Polícia Federal (PF) em Alagoas deve colocá-lo em prática. Os interessados em se desfazer das armas deverão primeiro ir à sede da PF solicitar a guia de trânsito, preenchendo formulário especificando tipo da arma, número de registro, além de data e hora previstas para a entrega. Segundo a PF, esse procedimento é fundamental para evitar que a pessoa seja abordada numa operação policial e acabe enquadrada no crime inafiançável. Por outro lado, serve também para evitar que alguém que anda armado ilegalmente use como justificativa o fato de que estava indo levá-la para ser recolhida, ao ser abordado. Existem três faixas de valor para a indenização: R$ 100 para as de pequeno calibre; R$ 200, para pistolas e rifles, e R$ 300 para as armas longas de grosso calibre. Desde que o Estatuto do Desarmamento foi promulgado, o armeiro Wellington Figueirêdo não recebeu mais encomendas para os trabalhos que executava em armas de fogo. ?Agora, só recebo as de pressão, que têm potencial ofensivo bem menor?, diz. Como a propulsão e a própria munição utilizadas são de poder inferior às de uma arma de fogo, elas podem até provocar perfuração da pele, mas não têm poder de causar danos a nenhum dos órgãos vitais. ?O mais grave que pode acontecer é, se pegar no olho, causar a cegueira?, observa. Policial civil aposentado, Figueirêdo faz a manutenção e consertos nas armas de policiais e empresas de vigilância, além de dar cursos sobre conservação de armas e munição. Ele faz questão de deixar claro que todas as armas são registradas nos órgãos competentes. O trabalho representa um adicional considerável na renda, mas, desde o Estatuto, as atividades estão suspensas. ?Vou me orientar com a Polícia Federal sobre como posso me regularizar, com a nova lei?, explica. O armeiro diz que considera importante a legislação sobre o desarmamento, mas acredita que deveria ter havido uma maior divulgação sobre o tema, antes de a lei entrar em vigor. Curiosamente, o armeiro, por cujas mãos passam armas de vários calibres de policiais e outras autoridades que têm o porte previsto em lei, diz que sequer anda armado. (FF)