Consequência
APÓS FALSA AMEAÇA DE ATAQUE, MÃE DIZ QUE FILHA ESTÁ SENDO PERSEGUIDA
Mensagem falava que massacre aconteceria na escola SEB-COC, onde três adolescentes praticariam o ato
Uma família atormentada e a falsa ameaça de massacre em uma escola particular de Maceió. A vítima? Uma menina de 13 anos, a quem foi atribuída a suspeita do ataque que aconteceria nessa quarta-feira (1º). Por trás de toda essa história inverídica está, na verdade, uma criança perseguida por alunos e seus pais. É isso que afirma a mãe da adolescente, em um áudio amplamente divulgado nas redes sociais.
O boato da ameaça falsa ameaça começou na terça-feira (31) e causou um grande alvoroço. A mensagem falava que um massacre aconteceria na escola SEB-COC, onde três adolescentes praticariam o ato.
Após o ocorrido, a mãe da aluna que foi alvo da falsa notícia - vamos preservar o nome nesta matéria -, divulgou um áudio onde expõe que a menina, na verdade, é vítima de perseguição por parte dos alunos e, agora, de seus pais. Em contato com a reportagem, ela disse que registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) contra as mensagens ofensivas enviadas pelos pais e mães dos alunos contra a filha e, nesta sexta-feira (3), a família deve procurar a Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente para tomar as medidas contra os alunos que criaram a história do atentado.
A mãe afirma que a filha está passando por problemas psicológicos e enfrentando bullying, inclusive sendo agredida, desde o começo do ano, quando ingressou na unidade de ensino.
“Sou mãe da aluna que está sendo perseguida covardemente por alunos e seus pais. A minha filha não teve nada a ver com qualquer confusão relacionada a armas. Um menino do nono ano, que fique claro, tirou uma foto de uma arma de brinquedo, de paintball, e mandou para um outro colega, que se sentiu ameaçado e levou o caso para a coordenação. Este é o fato, foi isso que aconteceu. Como isso saiu disso para minha filha anunciar um massacre na escola, eu não sei. Mas o que eu sei é que minha filha vem sendo perseguida desde o começo do ano, que foi quando ela ingressou nessa escola. Ela vem sendo perseguida por alguns meninos da escola, chegando, inclusive, a levar um tapa no rosto dentro da sala de aula”, expôs.
Ela conta que a filha gosta de rock e costuma usar roupas pretas, e isso teria ocasionado episódios de humilhação para a garota. No áudio, a mulher fala, ainda, que outras mães de estudantes da mesma unidade enviaram áudios ofensivos contra a criança.
“Agora, vejam, vocês que são as mães que estão mandando esses áudios difamando a minha filha, poderiam ser vocês do lado de cá, com suas filhas chorando, agredidas e humilhadas dessa forma, mas vocês estão escolhendo, covardemente, atacar uma criança de 13 anos, quem vem sofrendo bullying desde o começo do ano, simplesmente porque ela gosta de rock e usa preto. Olhem o nível dessa baixaria que vocês estão fazendo. Vocês não têm noção do estrago que estão fazendo na vida de uma criança, porque a minha filha vem apresentando um quadro depressivo desde que essa situação começou a se apresentar”, relata.
A mãe confirmou à reportagem que a escola foi omissa e que não tomou as providências para proteger a criança das agressões.
“Nós fomos até a escola pedir para que a escola interviesse, e a unidade vem sendo omissa. A gente, hoje, já foi na escola, na delegacia, ao advogado, estamos tomando as medidas cabíveis para proteger a minha filha de monstros que atacam uma criança. Foi por isso que minha filha não foi à escola hoje, ela não foi suspensa, muito menos expulsa”, disse.
Segundo a mãe, a família está estudando a possibilidade de tirar a criança do COC. “Ela está em casa por segurança, para descansar, e a gente vai ver o que vai fazer. Ela está em semana de prova e perdendo aula, isso vai prejudicar muito o ano letivo dela”.
Por outro lado, nessa quarta-feira, a escola emitiu nota afirmando que estava apurando com rigor as situações e tomando as providências necessárias. Afirmou que, ao tomar ciência do caso, acionou as medidas disciplinares, policiais e jurídicas cabíveis.
VEJA A NOTA DA ESCOLA:
“A aluna em questão não tem nenhuma relação com a ameaça de realização de atos violentos na escola e tampouco foi afastada da escola. Tais rumores partiram de um grupo privado no WhatsApp, sem qualquer conexão com a instituição de ensino. A escola repudia veementemente qualquer comportamento relacionado a bullying e cyberbullying praticados dentro ou fora do ambiente escolar. A instituição reforça ainda que todos os atendimentos pedagógicos prestados à aluna foram devidamente registrados e validados por seus responsáveis”.