Cidades
Desvio na Sa�de: Sou bode expiat�rio, diz acusado
O ex-chefe de Contabilidade da Secretaria Executiva da Saúde (Sesau), Eduardo Martins Menezes, apontado por sindicância interna do órgão como o principal suspeito do desvio de pelo menos meio milhão de reais das contas correntes da secretaria, rebateu as acusações, dizendo que não lidava com dinheiro. ?Estou sendo usado como bode expiatório?, alegou. ?Como chefe da contabilidade, minha função era apenas registrar o que entra e o que sai. Quem tem de dizer quem mexia com o dinheiro é o Álvaro [Machado, secretário de Saúde]?, disse Menezes, por telefone, à GAZETA. Ele foi um dos responsáveis pela movimentação das contas da secretaria de março de 2000 até 1o de julho deste ano, quando foi exonerado do cargo. Indagado sobre a informação de que parte do dinheiro teria ido parar em contas de empresas do filho, Eduardo Martins Menezes Júnior, entre elas, um posto de combustíveis em Aracaju, Menezes ironizou. ?O que eu tenho com isso? Ele tem 25 anos?. O acusado teria outros negócios em Sergipe, entre eles, farmácia e fazendas. Menezes disse, ainda, que foi ao Banco do Brasil (BB), após saber da denúncia, acompanhado de um superior seu na Sesau, ?também subalterno de Guedes (Antônio, diretor-administrativo), para se informar sobre o caso?, e lá lhe disseram que qualquer informação teria que ser oficializada. O diretor Antônio Guedes e o secretário-adjunto, Jorge de Souza Villas-Boas, prestaram depoimento ontem na Delegacia de Defraudações. ?Temos quase certeza de que o desvio é bem maior que meio milhão?, disse ontem Villas-Boas. O delegado Washington Luiz Santos, da Polícia Federal, que preside o inquérito, informou que, além deles, será ouvido também o secretário Álvaro Machado para apurar como foi a nomeação de Eduardo Menezes e que funcionários têm acesso a esse tipo de operação. A Sesau denunciou que assinaturas dos dois dirigentes foram falsificadas para liberar recursos do Ministério da Saúde, supostamente para compra de medicamentos, inclusive repasses do governo federal. Em nota oficial, o banco informou apenas que uma auditoria está investigando o caso. A GAZETA apurou que um dos pontos investigados é como se deu a análise dos documentos que pediam a liberação do dinheiro, os ofícios fraudados. Uma perícia nas assinaturas deve dizer se a fraude é grotesca ou não. Um elemento a mais na investigação para demonstrar se houve conivência de algum funcionário do próprio BB.