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Heróis

PROFISSIONAIS QUE ENCARARAM A PANDEMIA VIVEM DIAS DE ALÍVIO

Médicos e enfermeiros se doaram e muitas vezes deixando as suas próprias famílias de lado para se dedicarem aos pacientes

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Kemmy O’hara: “Nossa saúde mental ficou abalada”
Kemmy O’hara: “Nossa saúde mental ficou abalada” -

A pandemia da Covid-19 deixou marcas que jamais serão esquecidas por muitas pessoas. Foram vidas de parentes e de amigos que se foram de repente, sem despedidas. Foram meses de medo estampado nos rostos que ganhavam as ruas com seus sorrisos guardados atrás de uma máscara. Quando olhamos para trás e observamos o cenário atual, podemos dizer que, sim, a vacina chegou e o pior, aparentemente, já passou, apesar de ainda não podermos baixar a guarda.

A situação que vivemos atualmente nem de longe lembra o caos que se instalou no país e em Alagoas a partir do primeiro trimestre de 2020. Só no estado, foram quase 7 mil vidas perdidas. Os profissionais que atuaram na linha de frente e encararam o vírus no exercício de seus trabalhos que o digam. Foram heróis que se doaram e honraram a profissão que escolheram, muitas vezes deixando as suas próprias famílias de lado para se dedicarem aos pacientes.

A Gazeta ouviu pessoas que trabalharam na linha de frente de combate ao novo coronavírus e conheceu histórias surpreendentes. Cada um deles guarda na memória um episódio marcante relacionado à pandemia e todos são unânimes ao afirmar: tiveram medo de morrer. A técnica em Enfermagem Kemmy O’hara Cavalcante Costa, de 28 anos, atuou em três hospitais públicos durante a pandemia, entre eles uma maternidade que teve um surto da doença entre bebês prematuros e uma unidade onde ela trabalhava fazendo a triagem de síndromes gripais e lidava, diretamente, com as pessoas que apresentavam sintomas da Covid. Ela conta que se viu em meio ao caos, com pessoas precisando de assistência em um cenário de hospitais lotados. “No primeiro pico da pandemia em 2020 foi o mais difícil, porque atendíamos cerca de 160 a 200 pessoas por dia. Tínhamos que fazer transferência desses pacientes e muitos deles perdemos. Todos os hospitais lotados. Enfrentamos o caos. Foi desesperador. No hospital do estado eu trabalhei na UTI Neonatal. Lá, abrimos uma ala apenas para Covid, porém, teve um momento em que todos os bebês pegaram a doença e perdemos alguns. Também foi desesperador, porque até as mães eram proibidas de visitar os bebês. E por mais que tivéssemos todo cuidado, foi uma doença incontrolável”, afirmou Kemmy. Ela destaca a rotina cansativa, o cuidado reforçado e a dor de ver vidas sendo perdidas, em especial quando se tratava de pessoas conhecidas. Eram horas sem poder sair da ala em que atuava para não se contaminar e isso significava também ficar sem comer e sem ir ao banheiro. Tudo para garantir a segurança dos pacientes, que já estavam bastante debilitados. “A história que mais me marcou nesse período e que eu não vou esquecer jamais é a da UTI Neonatal em que trabalho ser toda infectada. Tanto os pacientes quanto os funcionários positivaram para Covid. A escala de funcionários reduziu, trabalhamos por 3 ou 4 pessoas. Foram 19 bebês positivados e tivemos que abrir um novo espaço para outros bebês que não estavam infectados. Nós tomávamos banho antes de entrar na UTI e quando saíamos dela. Passávamos 6 horas direto sem poder sair, e tínhamos que comer e ir ao banheiro antes de entrar, para passar a maior parte do tempo lá dentro. Quando tinha funcionários, revezávamos horário para descanso, mas quando não, infelizmente a gente tinha que ver outro jeito. Foi realmente triste. Nossa saúde mental ficou abalada. A minha principalmente”, pontuou.

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