Cidades
Chocada, m�e do rapaz espancado pede justi�a contra os agressores
Na noite do domingo, 11, a enfermeira Kátia, mãe de Klebson (que pediu para não ter o sobrenome da família identificado), não conseguia dormir como de costume. Na sala, a irmã do rapaz, Kathiane, 21 anos, também perambulava insone. ?Lembro de ter visto no relógio que eram 2h06 da madrugada quando senti uma angústia intensa?, conta a garota. ?Convidei mainha para rezarmos juntas, mas ela preferiu se deitar?, diz Kathiane, que é espírita e foi para o quarto fazer a oração sozinha. As duas estavam levemente adormecidas quando Kátia acordou abruptamente, dizendo ter ouvido a voz de Klebson gritando por socorro. ?Sempre tivemos uma conexão muito forte e não é a primeira vez que isso acontece?, contou ela. ?A partir daquele momento, comecei a pedir a Deus que protegesse meu filho?. Poucos minutos depois, Júnior, o amigo que socorreu Klebson, telefona. ?Quando atendi, já sabia que havia acontecido algo sério com ele?, diz Kátia. ?Corri com minha filha para o hospital. Só quando cheguei, vi que o caso era mais grave do que eu havia imaginado. Ele estava desacordado numa maca, sangrando muito, com um corte na cabeça. Minha primeira providência foi colocar a mão no pescoço dele, para sentir a pulsação. Senti um breve alívio quando vi que ele ainda estava vivo?, lembra ela. Klebson sofreu traumatismo craniano e facial, teve cortes na orelha e no lábio, perdeu três dentes e levou seis pontos na cabeça. Ficou seis dias semi-inconsciente na UTI do Pronto-Socorro. ?Foi chocante demais ver meu filho naquele estado. Não desejo isso a ninguém?, afirma Kátia. Mais chocante para a família, porém, foi descobrir, dias depois, que as cenas do espancamento haviam sido, coincidentemente, registradas por um cinegrafista. ?Eu e meu marido chorávamos e gritávamos ao ver as imagens?, lembra. ?Não tenho sentimento nenhum de vingança, mas peço que seja feita justiça. Acredito nisso, por isso fui atrás de provas e procurei os meios legais para dar prosseguimento ao caso?, afirma. Kátia não esconde o medo de represálias. ?Há alguns dias, os vizinhos viram uma Pajero preta cheia de rapazes musculosos rondando minha casa. Pelas características descritas, tudo indica que fossem ligados aos agressores. Só consegui dormir direito pela primeira vez hoje, quando saiu a prisão preventiva de um dos acusados?, desabafa. ?Nunca tivemos inimigos, nem nossa família nem meu filho, mas agora sinto que vamos precisar nos cuidar mais?. Conhecido como um rapaz tranqüilo pelos amigos, Klebson trabalha durante o dia como escriturário e, à noite, cursa o terceiro ano do ensino médio. Tem uma namorada e costumava freqüentar a casa de shows. No dia da agressão, havia ido ao local sozinho, e lá encontrou amigos. (AA)