Cidades
Show de forr� vira arena de selvageria
Era noite de domingo, 11 de julho, e na casa de eventos Uau, no Jaraguá, havia show da banda de forró Picirico. O bando de alunos da academia de Charlão, comandado pelo próprio professor, aborda e provoca o estudante Klebson e seu amigo, Júnior. O flagrante não foi relatado por testemunhas, nem saiu do rol de episódios que, segundo o padrão de comportamento dos chamados ?pitboys?, eles costumam descrever para contar vantagem. Toda cena está detalhada em imagens feitas na hora por um cinegrafista amador. As imagens são chocantes. A começar pela diferença entre o porte físico dos agressores e das vítimas. E depois pela desigualdade numérica. Klebson foi imobilizado com um golpe de luta marcial, em que o oponente o segura pelo antebraço. Recebeu chutes na cabeça e no tórax e, já caído, foi golpeado na cabeça com um forte chute desfechado, sem piedade, por Leandro Albuquerque. As imagens mostram uma clareira aberta no meio da multidão, provocada pela truculência do ataque dos ?pitboys? ? corruptela que mistura a raça de cães pitbull, conhecida pela ferocidade, ao da figura do ?playboy?, que em sentido pejorativo designa desocupados das classes abastadas. As imagens foram vistas pela polícia, que as utilizou para identificar os agressores. Mas há uma pessoa que, segundo o chefe de operações do 2º Distrito, Roberto Carneiro, ainda não foi possível identificar. ?São mais dois rapazes que aparentam também ser praticantes desse tipo de atividade. Um deles, que está de camisa branca, vem por trás de Charlão e tenta contê-lo. Mas então vem outro, e afasta esse segundo, deixando Charlão livre para continuar o espancamento?, relata o policial. Depois do espancamento, Charlão, para se livrar de problemas, ainda usou um expediente talvez mais covarde: foi à delegacia dar queixa de que havia sido agredido. ?Ele quis passar da condição de agressor à de vítima, mas não conseguiu?, revelou o agente policial. O chefe de expediente disse ainda que a polícia tem informações sobre outros episódios violentos envolvendo o professor de artes marciais. ?A própria mãe da vítima estava numa drogaria, após o caso, quando disse ter ouvido de outra pessoa que seu parente também tinha sido vítima do mesmo Charlão. Pedimos que ela tentasse localizar essa pessoa, mas não conseguiu?.