Cidades
23% dos presos fazem trabalho interno em AL
Vinte e três por cento dos presos condenados hoje trabalham no sistema prisional e têm a esperança de ganhar uma vida nova. ?Aqui é uma faculdade. Aprende-se o que é bom e o que é ruim. Recuperar-se, só depende dele?, afirmou o ex-sargento PM José Carlos de Oliveira, que cumpre pena pela morte do ex-delegado Ricardo Lessa. José Carlos é um dos 380 detentos que já cumpriu um sexto da pena e trabalha nas oficinas da Fábrica Esperança, que funciona num prédio anexo ao Presídio São Leonardo, no complexo penitenciário do Estado. Ele é o chefe do almoxarifado e um dos responsáveis pelas oficinas de marcenaria e serralharia. Faz 12 anos que o ex-sargento foi segregado pela Justiça. Por se tratar de pessoa com formação militar, segundo grau completo, ter curso de informática e um conhecimento infinitamente superior ao da maioria dos detentos, que sequer sabe assinar o nome, José Carlos é uma espécie de professor, um faz tudo na área da educação do sistema prisional. Ele conta que primeiro foi chamado para ser monitor. Na realidade, tinha como principal tarefa ajudar a alfabetizar os companheiros e incentivá-los a aprender a ler, a escrever e a ter uma profissão. ?Hoje sou um homem pronto para voltar ao convívio social?, garantiu. O ex-sargento da Polícia Militar de Alagoas não pensa mais em vestir farda. Vai trabalhar em uma profissão que aprendeu a dominar na cadeia: ?Vou abrir uma serralharia?. Inclusive, tem tempo suficiente para sair para o sistema aberto, ficar em prisão condicional. No entanto, declara que ainda tem muito a colaborar na ressocialização dos amigos. ?A liberdade pode esperar mais um pouco?, completou. Oficinas O secretário de Ressocialização, delegado Valter Gama, informou que os presos com mais de um sexto de pena cumprida podem trabalhar na fábrica de bolas, hortas, artesanato, oficinas de serralharia e marcenaria, bem como aqueles que conseguiram o regime semi-aberto. É preciso porém que tenha bom comportamento e receba autorização do juiz das Execuções Penais, Jamil Hamil. O trabalho não é de graça, revela o secretário, eles recebem uma ajuda de custo que varia de R$ 50 a R$ 120. Porém, o maior benefício é estudar e apreender uma profissão para quando ganhar liberdade. Pois só tem direito de participar da Fábrica Esperança quem passar primeiro pela escola instalada no próprio presídio. Outro benefício do trabalho no cárcere é a redução da pena. ?O ganho é pouco, mas compensa pela esperança de deixar a prisão empregado?, destaca o secretário. É, porém, o ex-sargento José Carlos quem dá números aos resultados alcançados pelas oficinas do presídio: ?180 presos saíram daqui empregados, nos últimos sete anos?. (EF)