Cidades
Resgate da irm� seq�estrada levou pol�cia a achar Edna
Quando foi levada pelos ciganos, disse Edna, outras duas irmãs dela também foram raptadas. Cristiane, na época com quatro anos, conseguiu fugir para uma cidade vizinha, que hoje não recorda o nome, e Silvânia, de cinco anos, que foi resgatada pela polícia em Pão de Açúcar. Foi o resgate da segunda filha de Maria Nilda que ajudou o policial Mariano a reunir a família. ?Tinha gente em Pão de Açúcar que se lembrava do que havia acontecido 17 anos atrás e pode colaborar com minhas investigações. Por se tratar de um município ribeirinho divisa com Sergipe, as pessoas conseguiram identificar a cidade, que fica há 100 quilômetros de lá?, conta. Uma das coisas que Edna recordava - que sua casa ficava ao lado do matadouro - levou o policial direto a mãe da sergipana. Inclusive, Maria Nilda trabalha no matadouro lavando couro para curtir. A notícia de que sua mãe tinha sido encontrada trouxe um novo brilho para o olhar de Edna, pois se tratava do fim do seu drama. ?Eu sabia que um dia ia encontrar minha família. Não sabia quando, nem como, só sabia?, afirmou ela na Delegacia de Teotônio Vilela poucos minutos antes de viajar para Sergipe. A viagem O delegado regional de São Miguel dos Campos, Antônio Carlos de Azevedo Lessa, acompanhou o colega Mário Jorge Barros na viagem para levar Edna de Deus Santiago para encontrar sua mãe. ?Estou muito nervosa, não sei com ela vai me receber. Nem sei se vai me reconhecer, pois faz tanto tempo?, afirmou. Neste momento, ela se reportou aos problemas que viveu longe de casa: dos maus tratos, estupro e da fome, principalmente de como era difícil fazer as três refeições. Também viajou para Aquidabã, dona Maria Benedita da Silva, a mãe de criação. ?Eu peguei ela para criar quando estava pedindo esmolas, quase despida e faminta. Se lembrava de pouca coisa, nem sabia direito o nome, nem quantos anos tinha. Era uma menina franzina, que passei a cuidar como se fosse minha própria filha?, afirmou Benedita. A mãe de criação declarou que achar a mãe biológica era um sonho de sua filha. ?Tenho consciência de como isto é importante para ela. Não estou com ciúmes e sim com alegria?, ponderou ela, abraçando os dois netos que agora passam a ter duas avós. Teotônio Vilela fica a 130 quilômetros de Aquidabã, cerca de 1h30 de viagem. O percurso foi transcorrido com tranqüilidade, apesar dos buracos da rodovia BR-101 no trecho alagoano. Nem precisou do policial Mariano para chegar com a comitiva na casa da mãe, paupérrima. Construída de tábuas, papelão e taipa, a casa de Edna estava lá exatamente como ela havia declarado ao policial Mariano, ao lado do Matadouro Público. Na porta, a mãe Maria Nilda e a irmã Cristiane, que tinha nos braços o filho, de oito meses.