Saúde
INFECTOLOGISTA ALAGOANO ALERTA PAIS SOBRE OS PERIGOS DE HEPATITE AGUDA MISTERIOSA
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Uma hepatite aguda misteriosa, ou seja, sem causa definida, tem deixado especialistas em alerta desde abril, quando o primeiro caso foi relatado na Escócia. Em Alagoas, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) confirmou que há um caso suspeito da doença, uma adolescente de 12 anos, que mora em Canapi, no Sertão. Por meio de nota, a Sesau informou que o caso está em investigação laboratorial e que a adolescente apresentou aumento nas taxas de enzimas do fígado, mas não precisou ser hospitalizada. Ainda segundo a pasta, a adolescente está sendo monitorada pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (Cievs). De acordo com o médico infectologista Fernando Maia, ainda há muitas incertezas sobre a doença, mas já é possível afirmar que ela atinge de maneira mais grave crianças abaixo de cinco anos. A maioria delas estava saudável antes dos sintomas. Os primeiros sintomas são: dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia. Se não tratados, eles podem evoluir para um quadro clássico de hepatite, com icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), urina mais escura e fezes claras. “Há suspeitas de que esse novo tipo de hepatite esteja ligado ao adenovírus e não há vacina para ele. Então, o meio de transmissão é respiratório, o que, nesta época do ano, nos deixa ainda mais alertas”, afirma o médico, que lista as medidas de prevenção que os pais podem adotar diante da confirmação do caso suspeito em Alagoas. “Na escola e em ambientes fechados é preciso usar máscaras. Também é necessário ter atenção para lavar as mãos. Uma medida crucial é vacinar a criança contra a Covid-19, visto que crianças que apresentaram casos graves foram, antes, acometidas pela Covid-19, o que pode ser um indicativo de que a superexposição a infecções pode estar associada aos quadros mais graves”, diz. O médico defende que todas as crianças que passam por quadro febril devem ser avaliadas por um especialista e que, tendo em vista que várias outras enfermidades podem acarretar no surgimento dos sintomas listados, descartar diagnósticos e outros tipos de hepatite seria o caminho para controlar uma possível proliferação desta hepatite sem causa determinada. “Existem diversas formas de hepatite e diversas formas de transmissão. Do contato com o sangue até a relação sexual. Esse tipo, se for confirmado que está ligado ao adenovírus, seria transmitido pelo ar. Então, evitar a aglomeração e dar seguimento aos cuidados que já estamos adotando por causa da Covid-19 seria o caminho de prevenção”, analisa.
HEPATITE AGUDA
Em maio de 2022, o Ministério da Saúde abriu uma Sala de Situação para monitorar os casos notificados em todo o Brasil. No levantamento realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta, até o dia 14 de maio, 47 casos da doença foram notificados no país. Desses, três foram descartados e os demais permanecem em monitoramento. “A criação dessa sala de situação é muito importante para monitoramento constante e direcionamento das decisões e ações de forma rápida, coordenada e oportuna”, informou o secretário de Vigilância em Saúde substituto do Ministério da Saúde, Gerson Pereira. Os casos de hepatite de etiologia a esclarecer foram relatados pela primeira vez no Reino Unido, quando foram detectadas taxas mais altas de hepatite aguda do que o habitual. Por se tratar de uma doença ainda sem causa conhecida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem monitorado o aumento repentino de casos entre crianças e adolescentes. A prioridade é determinar a etiologia desses casos para orientar ações futuras. Até o dia 10 de maio, segundo a OMS, 348 casos prováveis desta hepatite misteriosa foram notificados no mundo, em 20 países. No Brasil, os casos estão espalhados por diversos estados, sendo São Paulo a unidade federativa com maior incidência, com 16 casos. Para determinar que se trata de um caso desse novo tipo de hepatite, é preciso descartar as infecções por todos os outros vírus conhecidos causadores da doença (A, B, C, D ou E). Outros exames são feitos para determinar se é possível que a causa dos sintomas seja outra, como adenovírus, Covid-19 ou arboviroses (dengue, zika e chikungunya).