Cidades
Charl�o era dono de academia clandestina
O lutador de vale-tudo Charles Alexandre de França, o Charlão, foragido da Justiça alagoana por espancar o estudante Klebson, no dia 11 de julho, na casa de shows Uau, em Jaraguá, foi denunciado ontem pelo presidente da Federação Alagoana de Jiu-Jítsu, Diojone Farias, como sendo proprietário de uma academia clandestina no bairro do Jacintinho. Segundo Diojone Farias, Charlão nunca teria procurado a Federação para legalizar a situação da academia, o que, segundo ele, representa um risco para os praticantes da arte marcial. O presidente da Federação, que implantou o jiu-jítsu em Alagoas em 1994, alertou aos adeptos da arte marcial a cobrarem das academias os diplomas de seus professores responsáveis pelo ensino da arte. ?Todas as academias devem ter o diploma dos professores na parede. Só assim o aluno vai saber quem é o professor que, devidamente qualificado, terá ética profissional necessária para ensinar uma luta marcial?. Diojone Farias voltou a afirmar que o Charlão não é registrado na entidade e que a ocorrência foi um caso isolado, que não condiz com o perfil e a realidade dos adeptos deste tipo de luta marcial. ?Ele [Charles] tem um perfil agressivo. Foi treinado por um instrutor no Rio de Janeiro. Lá, ele recebeu apenas o trabalho de corpo, deixando de lado as regras do jiu-jítsu sobre o respeito à lei e ao ser humano. Este tipo de pessoa acredita que, tendo um corpo forte, ninguém pode enfrentá-lo?, disse o presidente da Federação, acrescentando que a técnica com orientação traz o equilíbrio que o lutador deve ter. Diojone Farias destacou ainda que Alagoas tem um contingente estimado de mil lutadores de jiu-jítsu, todos eles cadastrados. ?A gente sabe de tudo da vida dos nossos lutadores, e analisamos até a conduta deles em ambiente social. Do Charles Alexandre não temos nenhuma informação. Ele não participa de nenhuma federação?, destacou o presidente da Federação, frisando que Charles Alexandre participa apenas de competições de vale-tudo, que ?não são um tipo de luta marcial, e sim um show?. Ele lembrou que um comportamento agressivo co-mo o apresentado por Charles Alexandre, na maioria dos casos reflete questões ligadas a proble-mas familiares. Reunião ?Ver essas cenas é chocante para qualquer pai. É violento demais?, reagiu o tenente-coro-nel Rogério Duarte, que ontem representou o comando da Polícia Militar na reunião dos órgãos de segurança pública com o juiz Daniel Accioly, onde foi discutido o caso do estudante Klébson. A exemplo dos delegados da Polícia Civil que participaram da reunião, e do próprio juiz que decretou a prisão preventiva de um dos envolvidos, o oficial PM disse que tem filhos adolescentes que freqüentam bares e vão a shows. Por isso, disse o coronel Rogério, cabe aos responsáveis pela segurança pública agir de imediato para evitar que atos dessa natureza se repitam. O oficial disse que a PM está pronta a ajudar a combater a violência. Diante das imagens mostra-das na reunião, o juiz Daniel Accioly disse que ?certamente quando forem presos eles ficarão mansos?.