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Alagoas tem 90 mil crian�as no trabalho infantil

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FÁTIMA ALMEIDA Alagoas tem cerca de 50 mil crianças incluídas no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do governo federal. No entanto, cerca de 90 mil ainda se encontram em situações caracterizadas como trabalho infantil, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O combate a essa realidade ganha hoje um reforço da Caravana Nacional pela Erradicação do Trabalho Infantil, que chega a Maceió com um trabalho que está percorrendo o país, sensibilizando os governos e entidades para a situação. Os integrantes da caravana trazem um Termo de Compromisso que deverá ser assinado pelo governador Ronaldo Lessa, numa audiência marcada para as 15 horas, no Palácio dos Martírios. De acordo com a procuradora do Trabalho Virgínia Gonçalves Ferreira, da PRT/AL, esse termo já foi assinado por nove governantes e traz o compromisso de combate ao trabalho infantil por meio da ampliação da jornada nas escolas da rede pública. Jornada ampliada O maior avanço até agora registrado, segundo ela, foi com o governo do Rio Grande do Sul, que assinou o Termo e implantou a jornada ampliada em todas as escolas da rede estadual, com atividades complementares de reforço escolar, ações culturais e de lazer e alimentação. A procuradora informou que em Alagoas a jornada ampliada contempla as 50 mil crianças e adolescentes inseridas no Peti. Em Maceió, onde o programa funciona em parceria com a prefeitura, o número de crianças assistidas chegou a 2.500 em julho deste ano, segundo a procuradora, que comemora também a queda do trabalho infantil no setor canavieiro. Mas essa realidade ainda está longe de ficar sob controle. Um exemplo disso, de acordo com Virgínia Gonçalves, está na região de Arapiraca, onde se julgava erradicado o trabalho de crianças na cultura do fumo e, no entanto, tem se observado um retorno da utilização dessa mão-de-obra. ?As famílias acham pouco os R$ 25 mensais que recebem do governo federal. Na cultura do fumo, uma criança recebe diária de R$ 5,00. Mas não se pode avaliar só o lado financeiro dessa questão. O importante é a preparação para o futuro; é assegurar o direito de estudar; é a permanência da criança onde ela deve estar: na escola, nas brincadeiras com os amigos e no convívio com a família?, observa a procuradora.

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