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Popula��o investe em seguran�a particular

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FELIPE FARIAS Há cerca de três meses, praticamente todos os comerciantes de um dos quarteirões da Avenida Norma Pimentel da Costa, no Benedito Bentes, tiveram seus estabelecimentos arrombados numa única madrugada. ?Na minha loja, felizmente, eles não chegaram a entrar. Só forçaram a porta?, relata Maurício Nascimento, dono de uma loja de material de construção. Entretanto, o vizinho Renildo Feitosa, dono de um açougue, não teve a mesma sorte. O estabelecimento foi invadido e os ladrões levaram uma balança, uma máquina impressora de etiquetas e todo o dinheiro que estava no caixa. O prejuízo foi estimado em mais de R$ 4 mil. Para não ter de passar mais pelo problema, os comerciantes disseram que foram obrigados a arcar com despesas para reforçar a segurança nos estabelecimentos. Nascimento instalou grades por fora da porta da loja. Entre material e mão-de-obra, ele calcula ter gasto cerca de R$ 50,00. E também aderiu ao grupo de comerciantes que contratou um vigia que percorre apenas o trecho assaltado na época. Cada lojista paga R$ 5,00. O que mais irrita Maurício é o fato de ter de arcar com esses gastos, mesmo pagando impostos. ?São R$ 60,00 de ICMS, todo mês?, protesta, apresentando a fatura referente ao último mês, que já chegou. ?Nós temos de ter segurança pública; pagamos impostos para isso?, acrescenta o vizinho Renildo Feitosa. A contratação de vigias particulares é, segundo eles, um mercado promissor na comunidade. ?Praticamente cada quarteirão tem um vigia só para ele?, diz o lojista. ?Basta você passar por aqui a partir de 22h30 para ver, em cada rua, o vigia, de bicicleta e com o apito. Toda rua tem; é o que mais se vê por aqui. Pegar assaltantes, eles não pegam, mas espantam bem?, diz um morador do bairro. Somente os conjuntos que compõem a maioria das áreas habitadas do Benedito Bentes, o bairro mais extenso de Maceió, reúnem cerca de 150 mil habitantes. No conjunto homônimo existe um batalhão da PM, mas a unidade é responsável pelo policiamento de toda a região do Tabuleiro, que inclui outros bairros, que fica de um dos lados das avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro. O comerciante que teve a loja forçada há três meses reclamou ainda da lei do desarmamento. Para Maurício Nascimento, a entrega de armas pode deixar cidadãos como ele desamparados. ?A gente praticamente se rendeu. Estamos entregando as armas, mas é preciso desarmar as pessoas que investem contra nossos estabelecimentos?, cobrou. O vizinho, também atacado, cobrou atuação de todas as unidades envolvidas na segurança pública para garantir a comunidade e reconhece que a iniciativa que puseram em prática, com os vigias contratados pelos próprios comerciantes, se constitui apenas num paliativo.

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