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Promotor quer pena por duplo homic�dio

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Tudo aconteceu muito rápido. Os disparos foram feitos com o carro de Gérson em movimento, o que levou as pessoas que estavam no posto naquela madrugada a correrem para se proteger. ?De repente me vi sozinha, o Sandrinho no chão, ensangüentado, o carro do Gérson indo embora. Comecei a gritar por socorro, pedindo que alguém nos ajudasse?, relata Marcela Lagrotta, num dos poucos momentos em que sua voz saiu embargada, e seus olhos se encheram de lágrimas. Sem palavras Repetindo que Gérson e Márcio Edsandro não trocaram uma única palavra, Marcela revela que, após a fuga de Gérson, um casal se aproximou dela, lhe entregou um copo de água e ligou para agentes da Operação Litorânea (Oplit), que fazem ronda na orla. Os policiais chegaram cerca de cinco minutos depois, isolaram a área e foram ao encontro dela, que estava dentro da loja de conveniência do posto. Ela disse que depois da chegada da polícia, ligou para um amigo que identificou como ?Galego?. Em seguida ligou para a irmã de Gérson Júnior, para dizer o que estava acontecendo. Só o amigo veio ao seu encontro. ?O resto todo mundo já sabe?, concluiu a estudante. O depoimento dela esclareceu as poucas dúvidas da promotoria. Assistente de acusação, o advogado Raimundo Palmeira afirma que o relato mostra que o crime foi ?torpe, hediondo?. Por isso, ele e o promotor Eduardo Tavares vão pedir que Gérson Júnior seja julgado por homicídio duplamente qualificado. A promotoria vai alegar que o crime correu por motivo fútil e sem possibilidade de defesa, ou seja, ao atirar antes que Márcio Edsandro descesse do carro, Gérson tirou dele a chance de se defender da agressão. Se for pro-nunciado e submetido ao Tribu-nal do Júri, Gérson pode ser con-denado a uma pena entre 12 e 30 anos de reclusão. Já o advogado de defesa, José Fragoso, acha que o depoimento de Marcela vai confirmar sua tese de que Gérson ?agiu por impulso?, acreditando que, no momento em que descia, Márcio Edsandro estaria com uma arma na mão. ?Temos provas de que ele [a vítima] estava com o celular na mão, o que teria confundido meu cliente?, disse Fragoso. Mas esse argumento é refutado pela acusação. O advogado Raimundo Palmeira assegura, com base no depoimento de Marcela, que o celular de Edsandro estava jogado no piso do carro. ?Edsandro tentou sair do carro para conversar e foi barbaramente assassinado, inclusive com um tiro na nuca?, reage Palmeira.

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