Cidades
Marcela: Havia uma trag�dia anunciada
BLEINE OLIVEIRA Para Marcela Lagrotta, havia uma tragédia anunciada. Ela declarou ao juiz Braga Neto que em momento algum seu namorado, Márcio Edsandro, havia desafiado Gérson Júnior para um acerto de contas. Ela afirma que o objetivo dele era conversar e pôr um fim definitivo às tentativas de Gérson de reatar a relação já encerrada. ?Sandrinho era uma pessoa tranqüila, pacífica. Mas aquele encontro me preocupou. Eu sabia que Gérson andava armado, e pedi quase chorando que voltássemos para minha casa?, conta a estudante. Seus apelos foram inúteis. Edsandro chegou a sugerir voltar e deixá-la em casa, mas avisou que não desistiria do encontro. Marcela recusou a sugestão. ?Eu vou, não sou doida deixar você ir sozinho?, respondeu. Quando chegaram ao posto, Edsandro parou seu carro, um Golf branco, numa área do posto. Marcela ainda insistia para irem embora. Edsandro ligou para Gérson, que não estava no local. ?Cadê você? Já estou aqui esperando?, disse Edsandro, com a voz em tom normal, segundo ela, apesar de demonstrar à namorada que estava aborrecido com os telefonemas do ex-namorado. ?Estou chegando?, teria sido a resposta de Gérson. Marcela conta que continuou insistindo para que fossem embora, que deixassem ?aquilo para lá?. A conversa entre os dois durou cerca de quatro minutos. Nesse intervalo, ela tomou o celular de Edsandro para evitar que ele fizesse nova ligação para Gérson, e jogou o aparelho da vítima no piso do carro. ?De repente, vimos o carro do Galo, quer dizer, do Gérson chegando? [no relato, Marcela se referiu ao acusado pelo apelido de Galo]. O Sandrinho abriu a porta para descer. Antes que ele levantasse o corpo para sair do carro, começaram os tiros. Sandrinho caiu. Olhei na direção do carro de Gérson e vi a arma apontada e saindo fogo. Fiquei paralisada, sem nenhuma reação?, relatou a estudante Marcela Lagrotta. Ela diz que só saiu do torpor ao ouvir o barulho provocado pela batida do carro de Gérson contra um canteiro da lanchonete Mc Donald?s.