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Cidades Anderson Horácio cumpre diariamente sua carga horária numa empresa de telefonia

COMUNIDADE LGBTQIA+ ENFRENTA DESAFIOS NO MERCADO DE TRABALHO

Muitos profissionais esbarram na contratação e precisam esconder sua identidade sexual ou de gênero para ganhar espaço e segurança

Por ANNA CLÁUDIA ALMEIDA | Edição do dia 24/06/2022 - Matéria atualizada em 23/06/2022 às 21h49

Aos 30 anos, Anderson Horácio cumpre diariamente sua carga horária numa empresa de telefonia que integra há um ano e quatro meses. Lidar diretamente com o público faz parte de sua rotina. Seu jeito comunicativo, com vontade de crescimento, o faz se destacar no ambiente que atua. Ele integra a comunidade LGBTQIA+ em Alagoas. Faz parte de uma parcela que está inserida no mercado de trabalho e que vem crescendo na profissão. Exerceu alguns cargos em outras empresas e, atualmente, não encontrou dificuldades para se posicionar. Só que no passado não foi bem assim. "Já sofri em outras empresas, principalmente no momento das entrevistas. A gente percebe o olhar do examinador diferente, com ar de preconceito. Infelizmente, com essas posturas acabamos não conseguindo a vaga almejada", conta. O consultor de vendas é taxativo: integrar a comunidade LBGTQIA+ interfere no caminho profissional. "Há sim um pouco de dificuldades na procura e tenho vários amigos que enfrentam isso no dia a dia. Eu acredito ter sorte porque hoje trabalho numa empresa que tem também o foco na inclusão. Para se ter ideia, uso um crachá com as cores de nossa bandeira. Não sinto barreiras, tanto que têm gestores que integram a comunidade. De todas as empresas que já passei não senti preconceito, tive a liberdade para executar o meu trabalho, mas vejo amigos próximos sofrendo", acrescentou Anderson Horácio. Muitos profissionais esbarram na contratação e precisam esconder sua identidade sexual ou de gênero para que ganhem espaço e mais segurança no ambiente de trabalho. "O preconceito sempre vai existir. Se não estivermos no 'padrão' que a sociedade exige, se não usarmos roupas 'normais' ou cabelos da forma convencional somos diferentes. Quem sai do padrão acaba sofrendo e paga por não conseguir emprego. Há empresas que aceitam todos da forma que são, mas isso não é regra, infelizmente. Vejo muita gente desempregada, mesmo com formação e capacidade para ocupar a vaga", refletiu o consultor.

O TRABALHO E A LUTA

Discutir, planejar, propor e auxiliar na execução de políticas públicas voltadas para a comunidade LGBTQIA+ no estado de Alagoas faz parte da rotina de Ísis Florescer. Assessora Técnica de de Promoção de Políticas LGBT's, ela vem dedicando seus esforços no mercado de trabalho pela causa. Mas lembra que não é fácil a realidade de empregabilidade para essa comunidade. "São diversos desafios que uma pessoa trans enfrenta para conseguir ser inserida no mercado de trabalho. Alguns elementos contribuem para que essas dificuldades sejam agravadas, expulsão de casa pela família, a inviabilidade para completar a educação escolar formal, a ausência de políticas públicas com ações afirmativas e de reparação para dar empregabilidade este grupo, a falta de interesse do setor privado para ofertar vagas exclusivas para o segmento trans", conta. Ela afirma que a discriminação no mercado de trabalho é uma constante.

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