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Viol�ncia de pitboy traumatiza fam�lia da v�tima

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BLEINE OLIVEIRA A família do estudante Klébson Silva de Almeida, 19 anos, está mudando de endereço e vai buscar assistência psicológica para ajudá-lo a superar o trauma provocado pelo violento espancamento que sofreu na madrugada do dia 11 de julho último, na casa de shows Uau, em Jaraguá. O rapaz continua em pânico, sem condições de retomar a rotina. Na última quinta-feira, 12, Klébson foi com a irmã até a empresa onde trabalha para receber o salário. Mas não conseguiu. Assustado com o movimento das pessoas que passavam, sentiu-se mal obrigando a irmã, que o acompanhava, a parar um táxi e voltar para casa. O pai de Klébson, que pede para não ter o nome revelado, conta que o filho tem insistido em ver a fita de vídeo gravada na Uau mostrando toda a cena de violência. O estudante aparece sendo chutado e pisado por quatro brutamontes, os lutadores de jiu-jítsu Charles Alexandre França Moura, o Charlão, Leandro Albuquerque Ferro, o Leleco, Thiago de Lira Santos e Paulo Henrique Gouveia, integrantes de uma gangue de pitboys. As imagens, que chocaram a sociedade alagoana, têm aterrorizado e impedido Klébson de superar tamanha violência. Tanto que seus pais lhe proibiram de ver a fita, chegando a escondê-la para evitar o sofrimento do estudante. Uma família simples que se vê atingida por uma tragédia. É dessa forma que o pai define o pesadelo que passou a viver após a madrugada do dia 11 de julho. Quando mais jovem, A. (inicial do nome do pai do estudante) foi vítima de uma assalto do qual saiu atingido por vários tiros. Mas nem todo o sofrimento que viveu na época se compara à aflição e dor que enfrenta hoje. ?Nada que já passei se compara a dor de ver meu filho naquela situação? ? afirma ele, com a voz embargada. A. conta que sua dor se tornou ainda maior ao saber, posteriormente, que o filho, no desespero, lhe pediu socorro. ?Pai, me ajuda? , pedia Klébson enquanto era pisoteado pelos quatro pitboys. Essa informação foi repassada à família por Expedito Moura da Silva Júnior, amigo que estava com Klébson na casa de shows, e que também foi vítima da violência da gangue de lutadores. Ele teria sido atingido por um soco ao tentar ajudar Klébson. O pai sofre, ainda, por sentir-se culpado pelo que ocorreu. Ele lembra que, naquela noite, estava com a família no aniversário do sogro. Após a comemoração foi deixar a mulher e os dois filhos em casa, pois tinha um compromisso de trabalho. ?Perguntei ao Klébson se queria ir para casa ou iria para outro lugar. Meu filho me pediu R$ 5,00 e disse que iria a uma lanchonete perto de casa fazer um lanche com um amigo. Esse amigo lhe convenceu a ir a boate e aí aconteceu aquela desgraça. Antes não tivesse lhe dado o dinheiro?, afirma A., avaliando que, sem os R$ 5 Klébson teria ficado em casa. Um perfil pacífico O estudante Klébson Silva de Almeida é um rapaz tranqüilo, pacífico, educado. Tem uma namorada, como qualquer jovem na sua idade, e, como muitos, estuda e trabalha. Está concluindo o Ensino Fundamental. Na segunda-feira, 12, dia seguinte ao espancamento, iria ao Quartel do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BIMTz) se apresentar para o serviço militar obrigatório. Esse é outro fato que leva seu pai a declarar que ?foi muito azar? Klébson aceitar o convite do amigo para ir à boate Uau. Entretanto, A. entende que a violência que atingiu seu filho não foi coisa do destino. ?Esperamos justiça. As pessoas não podem ficar expostas a isso, com medo de sair de casa temendo encontrar pessoas como aquelas que espancaram meu filho?, disse ele. Assim, embora se recuse a revelar o nome e a ser fotografado, sabe que denunciar o caso à polícia foi a melhor decisão. Seu esforço agora é ajudar o filho a superar o trauma provocado pela brutalidade e violência de quatro homens que ignoram o que seja convivência social.

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