Cidades
Infec��o hospitalar ainda preocupa no Estado
BLEINE OLIVEIRA A morte, no espaço de apenas nove dias, de sete bebês recém-nascidos na UTI Neonatal do Hospital Universitário, e de outros tantos na Maternidade Santa Mônica, no início deste ano, é a primeira lembrança que surge quando o assunto é infecção hospitalar. O caso dos bebês chocou os alagoanos, embora os médicos daquelas unidades tenham discordado da relação direta entre as mortes e a infecção hospitalar, um mal que continua alarmando a quem, por qualquer doença, mesmo a mais simples, tem que se submeter a um processo cirúrgico. A Infecção Hospitalar (IH) é um problema tão grave que já representa a quarta causa de mortes no mundo. Seu controle ainda é um dos grandes desafios para os profissionais de saúde. A preocupação aumentou nos últimos anos após a constatação científica de que 30% dos casos de IH podem ser evitadas com ações preventivas. Informação que levou o Ministério da Saúde a instituir a portaria 930/92, tornando obrigatória a criação de Comissões de Controles de Infecção Hospitalar (CCIHs) em todo o hospital brasileiro. Em Alagoas, segundo a Coordenação Estadual de Controle de Infecção Hospitalar, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), apenas 49% dos hospitais do interior cumprem essa legislação. A luta, revela o coordenador estadual, médico Paulo Luiz Teixeira Cavalcante, é para que os 51% restantes adotem igual procedimento. Já em Maceió, os números são bem melhores. Do total de hospitais tanto da rede pública quanto privada, 77,78% cumprem a portaria ministerial. A preocupação é com clínicas e unidades de saúde que, mesmo realizando procedimentos de baixa complexidade, têm obrigatoriamente que instituir essas comissões. Entretanto, muitas ainda não adotaram essa providência. O coordenador admite que não há dados sobre o índice de pacientes que contraem IH no Estado. A explicação, segundo Paulo Cavalcante, está na diversidade do porte das unidades, ou seja, se ela é de baixa ou alta complexidade. Ele ressalta o esforço que todos fazem para manter o índice em níveis aceitáveis, mas deixa claro que em nenhum lugar do mundo ?existem meios de eliminar totalmente os riscos de infecção?. Isso significa que para atender à exigência da Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabelece níveis de acordo com o grau de complexidade do hospital, é preciso adotar todos os procedimentos preventivos capazes de evitar a contaminação do paciente e do ambiente hospitalar. Os próprios infectologistas admitem que, mesmo com todo progresso alcançado nos últimos cinqüenta anos em profilaxia (emprego de meios para evitar doenças), um número considerável de pacientes internados adquire infecções e morre em conseqüência delas. Mas, ressalta o médico Paulo Cavalcante, cuidados simples de esterilização, desinfecção e assepsia na rotina de trabalho são fundamentais para reduzir essas mortes e a incidência das infecções. Leia mais sobre o assunto na página E12